A DIETA DO SANTO GRÃO

Imagem em petroegas.com.br.

 

A única coisa mais importante a dar um norte na vida do cidadão ou da cidadã, além das prestações a pagar da televisão HD comprada em vinte e quatro meses, é o resultado final daquele regime iniciado na segunda-feira. Minha mulher que o diga!

Ela já começou vários regimes e nunca levou nenhum deles a termo. Nenhum deles – perguntem a ela – faz efeito. É tudo enganação.

Ela já fez a dieta do astronauta; a da lua; a da água; a do remédio de rato – uma que secava as pessoas que insistiam em segui-la à risca e as deixava eletrificadas, insones e babando –; uma homeopática; outra de um médico em Campos dos Goytacazes, para onde foi uma única vez e jamais retornou; a da Angélica; a da Xuxa; a da Luciana Gimenez; a da ração humana; a da nutricionista da Rua Otávio Carneiro; a da outra do Shopping Icaraí; a do Vigilantes do Peso, nas várias vezes em que retornou, como drogadicto que volta ao uso depois de algum tempo sóbrio;  a da jovem prima nutricionista, a quem solicitou um cardápio equilibrado, e da qual fugiu durante meses, envergonhada por não ter seguido as orientações.

Agora, incentivada pela revista de domingo do jornal O Globo de duas semanas atrás, resolveu seguir a do Santo Grão, conforme está na folha da revista, que tive de multiplicar no scanner, a fim de fornecê-la também a duas amigas preocupadas com as verdades da balança.

Combinaram as três começá-la nesta última segunda-feira, dia 28.

Na mesma segunda, encontro no Hortifruti da Rua Moreira César minha vizinha e sua secretária fazendo compras. Perguntam-me por minha mulher. Dou-lhes a notícia de que está bem e que estava começando, naquele justo momento, uma nova dieta.

As vizinhas riem e perguntam pela expectativa que eu tinha sobre a fidelidade a mais esta nova tentativa. Rindo, disse-lhes:

– Acho que vai até quinta-feira.

E todos demos boas gargalhadas, na fila do caixa.

Voltei a casa e ela me informou que não haveria almoço naquele dia, porque estava começando a dieta e iria utilizar os grãos adquiridos dias antes, para este fim.

Fui para a rua pensando onde comer. Até que dei com um cartaz do Sport’s Bar, da Rua Tavares de Macedo, anunciando dobradinha com feijão branco. Achei que seria um bom contraponto à dieta de minha mulher. Parei por ali mesmo e me dei muito bem. A comida estava muito bem feita, malgrado a simplicidade do lugar.

Voltei para casa, vimos juntos os jornais do meio-dia e nos deitamos um pouco para a sesta. Confesso, sem a mínima vergonha, que cochilei por uns bons quarenta/cinquenta minutos.

Depois que acordo, ela, um tanto aborrecida, um tanto nervosa, me pede que vá a padaria e compre pão:

– Acabei a dieta! Não vou ficar com fome!

E lá se foi a minha previsão para o ralo! A dieta não durou doze horas.

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