SAMEDI AU CADEG

Esta postagem de hoje tem título em francês, para que uns e outros aí não torçam o nariz, como certas pessoas metidas a besta que vi há tempos, para o programa deste último sábado. E, para os que não são familiarizados com a língua de Brigitte Bardot, traduzo logo no primeiro parágrafo: Sábado no CADEG.

Rua central do CADEG (foto do autor).

O CADEG – Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (estado que não existe mais desde 1975) – está fazendo cinquenta nos.

Localizado no bairro de Benfica, no Rio de Janeiro (Rua Monsenhor mi Félix, 110), e agora oficialmente transformado em mercado municipal da cidade, é um centro de compras de flores e produtos de decoração afins, secos e molhados, com destaque para bacalhau, azeites e bebidas, sobretudo vinhos. Além disso, tem um bom número de bares e restaurantes, com insuspeita tendência à culinária lusitana, o que, convenhamos, faz a delícia dos seus frequentadores.

Há também lojas especializadas em embalagens, em plásticos, em temperos e guloseimas, em frutas, legumes, verduras, cereais, roupas e calçados, etc.

Comecei a ir ao CADEG levado por minha mulher, quando ela fazia curso de ikebana – arranjo floral de origem japonesa – e ia todas as quintas-feiras, bem cedinho, com a professora, para comprar as flores fresquinhas que chegavam das regiões produtoras. E, confesso, não gostava muito de ir lá pelo simples fato de que o horário é, para mim, bastante insalubre: cinco da manhã.

Passada a fase ikebanística dela, nossas idas lá se tornaram esporádicas. E, ao longo desse tempo, vimos alterações na frequência do público e nas ofertas dos comerciantes.

Antes, os restaurantes eram muito simples e prestavam-se, principalmente, a atender os trabalhadores que por lá circulam desde o início da madrugada. Às vezes, chegávamos antes das seis da manhã e encontrávamos alguns almoçando, enquanto nós pedíamos café com leite e pão com manteiga.

As galerias entre os prédios que compõem o complexo agora estão com cobertura, de modo que ninguém mais precisa se esconder quando chove: as “ruas”, portanto, são cobertas. E por elas alguns novos e mais bem cuidados restaurantes e bares espalharam suas mesas e cadeiras que, por volta do meio-dia, começam a receber um sem-número de visitantes.

Não mais se veem por lá aqueles antigos restaurantes que serviam fumegantes pê-efes, mas vários até muito bem instalados, com ar condicionado, garçons uniformizados, ambientes menos confusos e mais aconchegantes. Nada, porém, que lembre luxo, pelo menos naqueles a que já fomos fazer refeições.

Oferta de bacalhau em frente à loja (foto do autor).

Ontem, sábado, minha mulher e eu estivemos lá. Fui para comprar vinhos, vendidos por preços cerca de vinte a trinta por cento menores que nas lojas de vinho de Niterói ou Rio de Janeiro. Há várias lojas especializadas na bebida. Algumas só aceitam pagamento em dinheiro ou cartão de débito e, como abrem bem cedo, por volta das três horas da tarde já estão fechando.

E algumas delas, muito bem instaladas, com variada oferta da bebida, também oferecem degustação no interior da loja ou na “rua”.

Loja de vinhos oferece degustação (foto do autor).

Depois do passeio tradicional e da compra do vinho, fomos almoçar no restaurante Barsa, localizado na “rua” 4, já referido por Danúsia Bárbara em seus comentários e recomendado vivamente pelos amigos Mário André e Carla Teles Oliveira.

Rua 4, com as mesas do Barsa (foto do autor).

Sentamo-nos a uma mesa na “rua” e rapidinho fomos atendidos pelo correto e eficiente garçom Marlon. Escolhemos de entrada bruschetta mista (três unidades: funghi, tomate e salaminho com queijo) e, como prato principal, arroz de pato à Barsa (confit ao vinho com ervas, cebolas portuguesas, azeitonas verdes e linguiça portuguesa picante).

Como aperitivo, pedi uma dose da boa cachaça Da Tulha Ouro, produzida em Mococa/SP, e água mineral gasosa.

Tanto a entrada, quanto o prato principal estavam corretíssimos e muito saborosos. Encerrei com um cafezinho encorpado.

Se eu fosse francês, certamente iria dar o título que aí está. Não sou, embora meu nome o seja. Mas é por certa inveja positiva dos amigos Mário André e Carla, que, neste momento, desfrutam dos sabores de Paris.

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4 comentários em “SAMEDI AU CADEG

  1. Tereza disse:

    Aí,Saint-Clair e Jane, adorei! É mesmo maravilhoso, eu sei, pois você é perfeito para opinar sobre bons pratos.Legal!

  2. Poxa, Saint-Clair, quero conhecer este lugar. Vou lá dar um passeio final de semana. É uma boa dica. E vc é um ótimo repórter, parecido com aqueles de comentários de revistas especializadas. Parab´nes e continue assim. Abçs.

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