AFASTEM DE MIM ESTE CÁLICE

A Globo colocou ontem no ar, em horário avançado, a nova edição da novela Gabriela, baseada no romance Gabriela cravo e canela, de Jorge Amado, trinta e sete anos após a primeira versão.

Este texto foi escrito, na verdade, antes da estreia desta releitura, portanto expresso aqui tão somente uma preocupação que me vai ao espírito, por antecipação.

Sempre que possível acompanhava a primeira versão, encantado com Sônia Braga no papel principal. Na época, aquela nova e bela atriz chegou de modo acachapante na cena televisiva nacional. De imediato, ela se tornou xodó de todo o público masculino, principalmente, e teve uma carreira cheia de sucessos no Brasil, até se aventurar em terras de Tio Sam, onde suas atividades foram limitadíssimas.

É que Sônia Braga era, de maneira clara e insofismável, o tipo mais bem acabado da beleza brejeira brasileira, cujo padrão não necessariamente agradaria ao gosto americano. Além disso, creio que houvesse também certa má vontade com estrangeiros, como em qualquer outro país. E os norte-americanos, é preciso reconhecer, têm, além disso, uma poderosa indústria de entretenimento, com seus astros nacionais. Se necessário, contudo, também importam os que lhes interessam. E tenho a impressão de que não chegou a ser este o caso de Sônia Braga.

Aí ela como que se apagou no cenário artístico brasileiro. Porém deixou na memória dos que a viram em várias atuações – em Gabriela, na televisão, ou em A dama do lotação, no cinema – a marca forte de sua estonteante beleza morena.

Agora a Globo destaca Juliana Paes para o papel que coube a Sônia Braga na primeira versão.

Juliana é outra de nossas lindas atrizes, também com a marca da brasilidade no corpo e no jeito, e tem todas as indicações para que faça uma Gabriela competente e sedutora. Não lhe faltam os instrumentos para tal.

Por ela e por Sônia Braga, vou tentar ver esta nova novela – coisa que não faço comumente –, apenas para saborear a doce visão desta nova Gabriela e poder compará-la com a de Sônia.

Porém não me peçam que me decida por nenhuma das duas.

É tarefa por demais dolorosa para mim.

Afastem de mim este cálice!

Sônia Braga e Juliana Paes, como Gabriela (em click-click-pose.blogspot.com).

2 comentários sobre “AFASTEM DE MIM ESTE CÁLICE

  1. Eu não vou ver, sou um ser pudico e não sou dado a estas libidinagens globais. À Sônia Braga eu prestei homenagens sem-fim no banheiro lá de casa. Estava no vigor de meus 18 anos…Saudade!

  2. judite

    uma pessoa de expressão fina e muito sensual era a sonia braga no tempo de gabriela e a interpretação bastante original existe muita diferença sim em todos aspectos.

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