MERCOSUL E UNASUL DÃO CARTÃO AMARELO PARA O PARAGUAI

Nos novos Recuerdos de Ypacarai, a se cantarem daqui a dez/vinte anos, ficará na dolência da letra da guarânia famosa o cartão amarelo que agora Mercosul e Unasul dão ao Paraguai: o país está suspenso das entidades até 2013, quando devem – eu disse devem – ocorrer as novas eleições para a presidência daquele país.

Como todos sabem, o presidente guarani sofreu processo de impeachment, de rito sumaríssimo, e em menos de vinte e quatro horas teve seu mandato cassado pelo congresso paraguaio.

Hugo Chaves, de imediato e com estardalhaço, já determinou o corte no envio de petróleo. Outras medidas restritivas devem ocorrer. E o povo paraguaio pagará pelo processo de impedimento de seu ex-presidente, o ex-bispo erótico Fernando Lugo, o emprenhador maluco.

Há, no ar, cheiro de golpe de estado constitucional. Há, segundo informações, previsão na carta magna do país vizinho para este tipo de procedimento.

Então ficamos na desconfiança de que o golpe foi legal, mas não legítimo, já que não se deu a Lugo amplo direito de defesa.

Ouvi de correspondente em Assunção, capital do Paraguai, através da Rádio CBN, a informação de certo conformismo da opinião pública, como se o caso fosse de uma fatalidade trágica. Conforme ele informou, o povo paraguaio está cansado de refregas, confusões, cujas consequências sempre lhe caem nas costas e preferiu virar a página da história, para ver como é que ficam as coisas.

Os países do Mercosul e da Unasul, aliados do presidente deposto, é que se manifestaram mais fortemente contra o procedimento do congresso. Porém nada que mude na política interna.

É que também se vive entre dois extremos excludentes: a autodeterminação dos povos x ingerência em assuntos internos.

Particularmente, como tenho horror a qualquer tipo de ditadura – nenhuma delas presta –, sonho com o futuro em que uma entidade internacional, soberana, equânime em suas partes, de caráter democrático, porém forte, possa impedir, ainda que com uso de força militar, que qualquer ditadorzinho se instale em qualquer país, para massacrar seu povo e dele extrair toda a riqueza, que acumulará em bancos internacionais.

Portanto a ingerência de agora dos países sul-americanos não me seria de todo antipática. Contudo não tivemos lá um golpe militar. Foi um golpe político, previsto na constituição. Ao arrepio da lei? Parece que não! Ilegal? Também parece que não! Legítimo? Aí não se sabe.

Ao final, tendo o próprio Lugo aceito as regras do jogo, sem que convocasse seus partidários para protestos, tudo se acomodará, e o Paraguai vai voltar soberbo ao seio dessas entidades que agora lhe deram cartão amarelo.

Porém nada como a economia de mercado para dizer que não podemos viver sem eles.

Vai um uisquinho aí, muchacho?

Imagem em isape.wordpress.com.

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