TORCI PARA PORTUGAL, MAS NÃO ADIANTOU

Pelo título da crônica, já se vê que tudo está expresso. Portanto o que disser daqui em diante será puramente enrolação de quem não tem muita novidade.

No entanto estou-me sublevando contra o futebolzinho de toque pra lá, toque pra cá, tão ao gosto do Barcelona, e que é o tipo de jogo que faz a seleção espanhola. Prefiro o futebol que busca sempre o gol e deixa o outro jogar. Mal comparando, é a diferença entre o jogo mata-mata, na sinuca, e o jogo de carambola do bilhar.

Acho um saco!

É um jogo sem emoção, sem medos, sem expectativas e sustos. Você vai sendo conduzido, como numa argumentação lógica, pelos meandros do campo, seguindo os toques de lado, os deslocamentos previstos, até que, em determinado momento, a bola é arremessada contra a meta adversária.

Se a bola entra ou não, isto será tão somente um detalhe, como diria nosso velho conhecido Carlos Alberto Parreira.

Já reclamei aqui sobre este tipo de tática de jogo, a propósito de uma partida do Barça pela semifinal da Liga dos Campeões UEFA.

Ver um jogo desses é como comer chuchu cozido no vapor, sem tempero e sem sal. Já vi XV de Jaú x Ferroviária de Araraquara mais emocionante. E olha que nem paulista sou, pelo que não me penitencio, nem me vanglorio.

E torci por Portugal por uma questão cultural: somos todos os brasileiros herdeiros da cultura portuguesa. E não costumo cuspir no prato em que como. De mais a mais, tenho o maior orgulho de falar esta bela língua portuguesa. As mazelas não contam nesta hora.

Embora Portugal tenha feito um jogo de igual para igual, até com maior número de finalizações – embora descalibradas em sua maioria –, a decisão por pênaltis mostrou que não houve superioridade de nenhum dos lados.

Ao final, a tevê mostrou Cristiano Ronaldo falando que havia sido uma injustiça a derrota na cobrança dos tiros livres. Eu mesmo creio que não houve qualquer injustiça. É do jogo a imponderabilidade da decisão que chega a este ponto.

Portugal foi eliminado. O que se há de fazer? Talvez ler um soneto de Camões, para fazer um paralelo com o conselho do médico, no poema Pneumotórax, de Manuel Bandeira, diante da fatalidade da tuberculose: “— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”.

“Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e dói não sei porquê.

                                                                                    (Soneto nº XV, em faroldasletras.no.sapo.pt)

Imagem também colhida em faroldasletras.no.sapo.pt.

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