TORCI PELA ITÁLIA, E DEU O MAIOR PÉ

Nem sempre um torcedor botafoguense de três gerações, ao torcer por outra equipe, leva a marca da urucubaca que nos cerca para ela. Para tudo, também, a urucubaca tem limite!

Anteontem Portugal sofreu comigo (As razões estão na crônica de quinta-feira.). Ontem, no entanto, meu sangue latino ferveu.

Torci pela Itália, porque, como disse, não cuspo sobre o prato cultural em que comi/como. Linguisticamente estamos ligados ao país da bota, onde surgiu, há quase três mil anos, a língua mãe do nosso português. E, depois, também, o italiano fala e dá para entender alguma coisa. Fora a massa que ele nos legou: um dos pratos mais versáteis e saborosos che si può mangiare.

Mas o diferencial do jogo de ontem foi que ele pareceu o velho e bom futebol de que gosto: duas seleções determinadas a ganhar, a jogar ofensivamente.

Andam usando uma expressão esquisitíssima atualmente, para caracterizar o jogo ofensivo: jogar de modo agudo, jogar agudamente. E foi exatamente o que Alemanha e Itália nos proporcionaram na partida em que os latinos venceram os germânicos por 2×1, com dois gols sensacionais de Balotelli, sobretudo o segundo.

E tenho a impressão de que todos os que viram os dois jogos da semifinal – o de quarta e o de ontem – sentiram uma diferença abissal entre eles.

No jogo da Espanha x Portugal, o estilo foi o de jogo de bilhar, com a bola carambolando de pé em pé e, às vezes, chegando até a meta adversária. Talvez pudesse dizer que é um jogo circunflexo, para fazer contraponto ao estilo agudo do jogo ofensivo.

No jogo entre Alemanha e Itália, o espectador manteve-se em sofreguidão, em expectativa até o finzinho, quando, inclusive, saiu o único gol germânico.

E como trabalharam os goleiros, aliás, os dois grandes goleiros: Neuer e Buffon!

As previsões iniciais eram a de que o favoritismo tendia para a Alemanha, em virtude de sua campanha com 100% de aproveitamento nos confrontos anteriores (1×0 Portugal; 2×1 Holanda; 2×1 Dinamarca; 4×2 Grécia).

À Itália restavam as dúvidas de como sua seleção se sairia, já que viera tropeçando na fase de classificação e nas quartas de final (1×1 Espanha; 1×1 Croácia; 2×0 Irlanda; 0x0 Inglaterra – 4×2, nos pênaltis).

Contudo o narrador da transmissão televisiva lembrou que jamais – e eu repito: jamais – a Alemanha venceu a Itália em partidas oficiais.

Então o que se deu foi a escrita: os tedescos são fregueses dos azzurri desde que o mundo da bola é mundo. Isto é: desde que a pelota rola no tapete verde.

E estamos combinados. Dá-lhe, Dante Alighieri!

Khedira chuta, sob o olhar atento de Balotelli, o herói do jogo (imagam em ojogo.pt).

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