TRISTE CIDADE

Aqui ao lado do meu prédio, uma grande construtora está erguendo condomínio com três blocos, no terreno onde antes se instalava o IPC – Icaraí Praia Clube, entidade tradicionalíssima na cidade.

É uma obra que chama a atenção pelo inusitado do alinhamento que lhe foi autorizado: chega até o antigo muro do clube, com varandas projetadas além disso.

Segundo executivo da construtora, que esteve em reunião com os condôminos do meu prédio, antes do início das obras, tudo estava dentro da legislação e, arguido sobre o alinhamento, que destoa de toda a sequência traçada pelos prédios a partir da curva da pedra de Itapuca, ele alegou que a prefeitura de Niterói o havia autorizado.

Em primeiro lugar, questionou-se sobre a legalidade da transformação de um espaço físico destinado a lazer e recreação – o antigo clube – em um empreendimento de caráter empresarial – a atual construção. Ele alegou que sua empresa primava por só trabalhar legalmente.

Contudo, sabemos todos que os vereadores da câmara municipal alteraram, um pouco antes, a destinação do terreno, a fim de que se viabilizasse sua venda para tal construtora. E sobre esta ação pairaram dúvidas de lisura e comportamento ético.

Agora o primeiro bloco, que está sendo erguido por último, já mostra seu volume deselegante e avassalador sobre um espaço que foi, por longuíssimos anos, livre.

A construção é de tal sorte inusitada, que tirará a visão dos vizinhos da frente, para a esquerda. Toda a coluna 01 do meu condomínio deixará de ter a vista da Praia de Icaraí.

Nosso prédio, quando foi erguido na década de 80 do século passado, seguiu o alinhamento em vigor, que previa um alargamento da avenida praiana. No entanto, dois prédios além – este em construção e o de número 95 – ultrapassaram o que estava disposto até então no código municipal que trata do assunto.

Quanto a este último, ouviram-se muitas informações de corrupção das autoridades da época, inclusive do prefeito. Deste de agora, há sussurros abafados, cujas fontes se desconhecem, como acontece sempre nos boatos.

O que ficará ao fim da construção, que se pretende um empreendimento de luxo, é a volumetria agressiva, deselegante e, por que não dizer, de muito mau gosto, pois destoará completamente da linha traçada desde a curva da pedra de Itapuca.

Triste cidade!

Foto tomada em 27/6/2012.

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