MARIDO

Tenho a impressão de que uma das coisas mais mal inventadas que há seja marido.

Marido é, mais ou menos, aquilo que o antigo detetive-radialista-deputado Sivuca dizia a respeito de bandido: marido bom é marido morto. Principalmente se deixar um polpudo seguro de vida. Caso contrário, será um estorvo completo até na hora do enterro ou da cremação do de cujus.

Eu mesmo sou marido e ponho minhas barbas de molho sempre.

Lembram-se da ex-mulher do ex-prefeito – e atual esquelético cadáver – de São Paulo, Celso Pitta? Foi só o casamento deles se acabar, para ela sair fazendo as piores ausências dele, como diria o mestre José Cândido de Carvalho. E foi a desgraça do Pitta!

Enquanto o casamento durou, a mulher fez vista grossa às grossas falcatruas que o político fazia durante sua vida pública. Acabou-se o casamento, e ela, depressinha, a transformou numa privada.

Aqui mesmo, no condomínio onde moro, tenho ciência de uma vizinha que vivia de falar mal de seu marido. Minha mulher, quando a encontrava nas mais diversas situações, trazia as desabonações que ela fazia dele. O homem me parecia um cidadão comum, prestante – como os jornais da minha terra tinham como fórmula de elogio fúnebre aos homens: cidadão prestante -, de simpatia comedida a bons dias e boas tardes. Pois sua mulher dizia poucas e boas dele, de tal forma que eu mesmo, com a minha cabeça de marido, não entendia como ela se mantinha casada com alguém de quem tanto dizia mal. O marido acabou por ir-se embora.

Agora é Lisandra Souto que vem prestar sua contribuição à desgraça da classe.

Casou-se com Tande, uma lenda do voleibol brasileiro, herói de muitos meninos e jovens; abdicou de sua bem sucedida carreira de atriz da poderosa Globo; recolheu-se à nobre função de mãe e esposa, com um estoicismo estranho para esses nossos tempos, e parecia conformada com tudo isso.

Por algumas – poucas, é bom que se diga – vezes, apareceu na tevê falando sobre sua vida de casada, a opção que fizera em prol do casamento e da família e da vida de empresária do ramo de alimentação natureba que desempenhava.

Pois muito que bem!

Acabou-se o casamento. E aí o caldo entornou!

A primeira coisa que ela vem a público dizer, através de entrevista aos diferentes meios de comunicação, é que Tande, um dos nossos maiores jogadores de voleibol, não foi um grande marido. Aliviou sua barra um pouco, ao dizer que é um pai prestimoso, atento. Mas, definitivamente, como marido, deixou a desejar. Como pode Tande não ter sido grande marido, sendo do tamanho que é? Nelson Ned é que nunca foi grande marido. Nem será!

Por isso estou com as barbas de molho há muito. Tenho o maior receio de que, se meu casamento acabar, por qualquer motivo, minha mulher saia por aí fazendo as tais péssimas ausências de Zé Cândido de Carvalho.

E, por antecipação, vou pedir aos meus amigos e aos meus estimados leitores: acreditem só a metade. A outra metade fica por conta de certo revanchismo muito comum nessas situações.

Embora homem não seja flor que se cheire – na função de marido continua a não cheirar bem –, também não somos assim tão imprestáveis: na hora de matar barata, por exemplo, é de nós que as mulheres se socorrem!

Imagem em albirio.com.

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