BONY EM RISCO DE VIDA*

Minha sobrinha Fernanda veio passar uns dias de férias aqui em casa, enquanto não voltam as aulas da faculdade.

Acabou de receber telefonema de seu pai, informando que seu cão de estimação, seu xodó na vida, que atende pelo nome de Bony (Ainda tenho de colocar y no nome, porque ela me corrigiu aqui um tanto zangada! Onde já se viu esse cuidado em nome de cachorro!), está entre a vida e a morte.

Ela já ficou chateada e disse que mata seu pai, se ele deixar o cachorro morrer.

Tive de rir, ao pensar na cena: o cão morto e a Fernanda partindo furiosa para cima do pai, com uma faca de cozinha na mão.

A cena é totalmente improvável, mas daria um bom pastelão.

Segundo o pai, o cão está com os dias contados, pois já está idoso. Fernanda, porém, contesta: poodle como ele vive quatorze/quinze anos. E com dez, a idade real do Bony, ele ainda é jovem, porque brinca, passeia todos os dias e “já não está mais tomando Gardenal, tio!”, como fez questão de me assegurar.

Além disso, revelou que vive mais tempo com o cão – dez anos – do que viveu com seu pai, enquanto durou o casamento com sua mãe: sete anos. Pela lógica dela, a consideração com o cão é maior.

Porém o pai lhe informou que o bicho está vomitando e urinando, sinal de que está chegando a hora de desencarnar desta vida de cão e assumir a sublimação eterna.

Fernanda está uma arara com o pai, porque alega que ele não leva Bony ao veterinário e cuida, ele próprio, do cachorro, com seus rudimentares conhecimentos de cães.

A situação não está boa, realmente, como posso sentir, uma vez que há a ameaça de até a atual esposa de seu pai ser acionada, para resolver o problema canino.

Senão, ela vai embora no primeiro ônibus para Bom Jesus, tentar salvar a vida de Bony e, consequentemente, preservar a vida do pai.

Fernanda e Bony (foto de Fernanda).

———

* Uso a expressão consagrada – risco de vida – e não a inventada pela Globo – risco de morte –, para dar lógica à língua, que tem sua própria lógica, distinta da cartesiana.

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Um comentário em “BONY EM RISCO DE VIDA*

  1. Veronica Mello disse:

    Ele que se atreva deixar o nosso cãozinho sem assistência do veterinário.
    Ontem fui dormir chateada com isso, a sorte q a madrasta dele cuida dele
    direitinho.
    PS: Essa história é verídica rsrsrsrrsr…
    OBS: Ele (O Pai) tbm gosta mais do cachorro que dos entes queridos dele.
    Pode??
    Verônica Mello

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