HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI

1. JORGE ESTÁ BEM!

Batistinha, meu primo e o maior gozador que conheço, acompanhado do amigo Jorge Azevedo, lá pelos anos 70 foi a uma festa em São José do Calçado, cidade no Espírito Santo, porém próxima a Bom Jesus do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro, onde mora.

Como sempre, farreou e bebeu. Até que decidiu voltar à cidade.

Para quem não conhece, é bom que se diga, Calçado, como é comumente nomeada, é uma cidade localizada a uma razoável altitude. Bom Jesus fica ao lado do Rio Itabapoana, que faz a divisa natural entre os dois estados. Para ir de uma a outra, ou se enfrenta uma boa subida, ou uma boa descida, conforme a direção.

Já mais de meia-noite, Batistinha chamou Jorge, para que voltassem. Ao passar pela rodoviária, ele ofereceu carona para um representante comercial que aguardava o ônibus, para também descer a serra.

Bebida e direção nunca combinaram, desde que se inventaram os veículos motorizados. Assim, numa das diversas curvas, o fusca do Batistinha se precipitou na ribanceira.

Ele mesmo foi lançado para fora do carro, que ainda deu algumas cambalhotas, antes de parar em uma árvore, com Jorge e o carona lá dentro.

Como nada de grave sofrera, apenas “uma narigada do carona em sua nuca”, conforme ele me contou à época, entre gargalhadas, subiu barranco acima para pedir socorro.

O carona sofreu apenas uma amnésia temporária – Quem sou? Onde estou? Para onde vou? –, porém Jorge teve fratura na perna, com hemorragia, e precisou ser operado no hospital de Calçado.

Batistinha, então, entrou em contato telefônico com Ozéas, irmão e sócio de Jorge no bar da rodoviária de Bom Jesus, tentando tranquilizá-lo, já que na cidade as notícias eram as piores possíveis, sobretudo porque ele estava em companhia do Batistinha.

– Olha, Ozéas, o acidente não foi tão feio quanto lhe disseram. Foi uma bobagem… Coisa à toa! O Jorge? O Jorge está bem. Fique tranquilo! Sim, estou com ele aqui…

– Então me deixe falar com ele, Batista! – disse o irmão já bem nervoso.

– Agora ele não pode. Está sendo operado.

Pano rápido.

2. TERRORISMO NO CINEMA

Quando no início da adolescência, Batistinha recebeu punição do Cine Monte Líbano, do libanês Merhige Hanna Saad, acusado de ter soltado bomba de São João durante sessão de cinema.

Tia Colola, sua mãe, chamou-o às conversas, para passar-lhe a descompostura de sempre, acompanhada de castigos de praxe.

Ele, então, se saiu com a seguinte explicação:

– Mãe, não tive culpa. Por tudo que é mais sagrado! Eu tinha comprado a bomba, para soltar na festa junina do colégio. Aí, durante a sessão, resolvi mostrar a bomba para o Luís Careca (membro da mesma quadrilha de garotos desesperados). Sabe o que ele fez? Tirou do bolso uma caixa de fósforo e passou na cabeça da bomba. O que é que a senhora queria? Que a bomba explodisse na minha mão? Aí, eu tive de jogar lá na frente, no meio das pessoas.

Os três meses de suspensão que Pico, filho de Merhige e gerente do cinema, aplicou em Batista foram dobrados para um semestre, sem poder frequentar as sessões do majestoso Cine Monte Líbano.

Prédio do Cine Monte Líbano, na Praça Governador Portela (imagem em jornalreporteronline.blogspot.com).

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Um comentário em “HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI

  1. Ai…ai…o Batista existe mas “não existe!”

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