HISTÓRIAS DE BASTITINHA QUE EU SEI (II)

Imagem em vejaandira.com.br.

O SHOW DA MULHER GORILA

Batistinha servia o glorioso Tiro de Guerra nº 1, em Bom Jesus do Itabapoana, na década de 60.

Comandava aquela brava unidade do Exército Nacional o então sargento Silva.

Na tradicional Festa de Agosto daquele ano, Batistinha, tonto, em trajes civis, mas com o cabelo cortado à reco, chegou à barraca da Mulher Gorila, armada na rua à margem do rio, na confluência com a Buarque de Nazareth, querendo assistir à “fantástica transformação de uma bela jovem na horrível Mulher Gorila”, como apregoava o cartaz à entrada.

Contudo – e lhe explicava o homem – isto não seria possível, pois a última sessão havia terminado há alguns minutos, beirando a meia-noite, horário limite como determinava o alvará concedido pela prefeitura. O próximo espetáculo, só no dia seguinte.

Ele, então, tentou impor sua condição de autoridade – bravo recruta das Forças Armadas brasileiras –, para uma exibição especial para ele. Tal pretensão não foi atendida, por motivos óbvios. Tonto e armado, puxou o revólver que pegara na casa de tio Chiquito, sob a nossa guarda durante as férias deste na praia com a família, e quis fazer valer seu comando.

Sem alternativas, o homem chamou a polícia local, que conduziu Batistinha para a delegacia.

A autoridade de plantão, para seguir o rito, ligou já quase uma hora da manhã, para a residência do sargento Silva, que, imediatamente, vestiu-se e foi liberar seu comandado. Levou-o preso para a sede do Tiro de Guerra, onde o deixou a curar o porre até a manhã seguinte, sob a vigilância dos demais soldados da guarda.

Depois, quando nos contou a história – eu servi o Exército no ano seguinte –, disse que não poderia deixá-lo lá na madrugada, mesmo tendo feito a trapalhada que fez. Batistinha, no ano anterior, salvara a vida de seu filho, Fidelinho, quando este se sufocou com o próprio vômito.

Como Batistinha estivesse, no momento do episódio, dando um trato no jardim de dona Jane, esposa do sargento Silva, acorreu ao seu pedido de ajuda e salvou Fidelinho, sugando com sua boca o vômito que sufocava o bebê. E foi com dona Jane até o hospital, onde se completou o atendimento.

O sargento nos disse, naquele instante, que pelo Batistinha punha a patente e até sua mão no fogo.

Quem era eu –  além de primo, fã do Batistinha – para contestar o argumento do sargento!

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