HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI (III)

1. BATISTINHA DIRIGE DEVAGAR

Batistinha já se havia envolvido em alguns acidentes de carro, sempre sem consequências para ele, mas com prejuízos materiais para o pai, dono do veículo, e para a mãe, que tinha de reforçar as orações aos santos de devoção, no intuito de manter aquela alma atribulada engastalhada ao corpo físico, a despeito de todas as trapalhadas que fazia.

Certa vez, inclusive, reparei os calos nos joelhos da tia Colola, que se justificava:

– De tanto rezar para que o Batista tome juízo naquela cabeça!

Certa vez ia ele descendo, no comando do jipe do pai, a Rua Abreu Lima, a partir da Praça Governador Portela, quando, na esquina com a Tenente José Teixeira, que à época dava mão em sentido contrário ao de hoje e não possuía o semáforo atual, também dirigindo um jipe, vinha em disparada o Chico do Pixico, da vizinha cidade de Apiacá.

Segundo testemunhas, ambos os sem-juízo corriam além do recomendável para as ruas da cidade.

Chico do Pixico pegou o jipe de Batistinha pela lateral esquerda, traseira, e o arremessou contra a farmácia do Tião Marques, à direita, na transversal da esquina.

Em sua casa, horas depois, fui testemunha da prensa que tio Alcebíades dava em Batista, reclamando com ele do péssimo hábito de só dirigir em alta velocidade. Batista garantia que estava devagar, razão por que – alegava – fora colhido por Chico do Pixico.

– Pai, seu estivesse correndo como o senhor está dizendo, na hora em que o Chico chegasse à esquina eu já estaria lá na Chevrolet, na esquina seguinte. Foi justamente por andar devagar que o Chico me pegou ali. Pro senhor ver como, às vezes, é imprudente andar devagar!

Tia Colola fez uma cara de desaprovação, e eu saí de fininho, porque senti que o clima iria esquentar.

Imagem em noticias.r7.com.

2. O CARRO DE BATISTINHA PARECE O BATMÓVEL

Esta é mais curta, mas não menos, perigosa.

Batistinha vinha de uma noitada em Itaperuna, cidade distante a cerca de 38km de Bom Jesus, com o carro cheio de mulheres da vida, como ele me disse à época. Isto não era nenhuma novidade, para quem passava o tempo na esbórnia.

Na BR-356, na descida do morro da mangueira, que hoje nem mais existe no local, uma das mariposas, sentada no banco traseiro, resolveu fazer-lhe um cafuné na nuca.

A descida da estrada é em curva, com o barranco à direita e o precipício à esquerda. Lá embaixo, uma vargem verdinha de capim para o alimento do gado.

Entusiasmado com o cafuné, e já um tanto calibrado pelas libações de toda a noite, acelerou, e o carro – tal Batmóvel descontrolado – voou sobre a cerca da beira da estrada e foi amortecer a queda no pasto do gado a uns quinze metros abaixo.

Como quase sempre ocorria nos acidentes dele, já que tinha o corpo fechado a poder de muita oração de sua mãe, minha saudosa tia Colola, ninguém sofreu nada.

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