HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI (V)

O PORCO SEQUESTRADO

O baile da Festa de Agosto, no tradicional Aero Clube de Bom Jesus, terminou já de manhãzinha.

Batistinha, todo metido num terno bem cortado, traje exigido para os bailes de gala do clube, saía acompanhado de alguns amigos do seu calibre. Na pracinha Amália Teixeira, em frente ao bar do Lauí e do Pituca, passeava despreocupadamente um porquinho liso, nos seus quase quinze quilos, na medida exata para um leitão à pururuca.

Tiveram eles a boa ideia de roubar o porco. Alguém, no momento, disse que o animal pertencia ao Claudio Delatorre, morador da Rua dos Mineiros, na saída para Rosal, onde tinha sua oficina de carpintaria.

Batista tomou a si a incumbência de levar o porco – Deixa, que eu levo! –, já que morava numa casa com um vasto quintal cercado nos fundos.

Eu dormia no seu imenso quarto, onde havia quatro camas de solteiro, e não o vi chegar.

Era antes das oito horas da manhã do domingo – tio Alcebíades e tia Colola tinham ido à missa das sete –, quando ouço palmas à frente da casa. Ainda meio amarrotado pelo colchão, vou até lá atender. Era o dono do porco.

– Soube que o Batistinha pegou meu porco e vim aqui para levar ele de volta! – falou resoluto.

Com muito custo, acordei Batista, dizendo-lhe da cara feia do dono do porco, no portão de entrada da casa. Ele me pediu que voltasse lá e dissesse que ele iria passar uma água no rosto e já falaria com ele.

Fiquei preocupado, quando então ele me contou do roubo do porco, tramado por ele e pelos amigos. Enquanto fazia sua higiene matinal rápida, disse-me que eu ficasse tranquilo, pois a situação estava sob controle.

Acompanhei-o até o portão, na intenção de não deixar que houvesse briga, já que o proprietário do ser porcino estava uma arara.

Pela saída esperta de Batistinha, tive certeza de que ele jamais se apertaria na vida. Abrindo os braços efusivamente e caminhando em direção ao Cláudio, com a cara mais descontraída do mundo, foi dizendo:

– Cláudio, sabia que o porco era seu e resolvi salvá-lo! Ronaldo Holandês, Gaultiezinho e Luís Careca (os seus amigos de trapalhadas) estavam doidos para levar seu porquinho e fazer dele um leitão pururuca. Aí eu falei para eles: Epa! esse porco eu conheço: é do Cláudio Delatorre e ninguém vai comer! Rapaz, foi uma dificuldade salvar o porco daqueles três! Também já estavam tontos e não iam conseguir pegar o bichinho. Mas antes que conseguissem, salvei seu porco. Ia devolver a você mais tarde. Está lá nos fundos. Vamos pegar!

Fomos até o pomar, onde Batista soltara o bicho. Após algum tempo, Cláudio o pegou, meteu-o debaixo do braço e ainda saiu devendo mais essa obrigação ao Batistinha.

Imagem em ocenosamba.com.br.

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