HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI (VI)

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O PRESENTE DO DR. NÍSIO DA MATA

O saudoso doutor Nísio da Mata, dentista de profissão, chegou a Bom Jesus na década de sessenta e logo angariou a amizade de vários moradores, pelo seu jeito expansivo e seu constante sorriso.

Embora já fosse um homem maduro à época, logo se afeiçoou ao jovem Batistinha, por seu jeito gozador e brincalhão. E estavam sempre em rodas de cafezinho e conversa no Bar do Salim ou na Rua do Homem em Pé, apelido do trecho inicial da Abreu Lima, junto ao bar, onde se reuniam proprietários rurais, negociantes independentes e algum tipo de gente que não tivesse ponto a cumprir ou patrão a obedecer.

Batistinha sempre foi um dos frequentadores mais assíduos deste trecho de Bom Jesus, onde se destacava por suas gozações, brincadeiras e casos pitorescos.

Aliás, Batistinha é uma figura popular na cidade por tudo o que já aprontou ao longo da vida. E, diga-se, sempre muito benquisto por todos, pois em suas troças não havia qualquer traço de maldade ou de prejuízo para terceiros.

Assim, doutor Nísio o adotou como um de seus melhores amigos, convidando-o a sua casa a participar de almoços e confraternizações e deliciando-se a cada caso novo que Batistinha trazia para sua roda de conversa.

Um dia, batem palmas à porta de sua casa. Era um entregador, com uma caixa de tamanho razoável.

Sua filha moça é quem recebe a encomenda.

– Pai, foi o Batistinha que mandou para o senhor.

– Põe isso no chão, que deve ser brincadeira daquele sacana. Não abra!

E começaram ele, a esposa e a filha a conjecturar o que poderia haver dentro da caixa, que ficou no chão, no meio da sala, levantando todas as suspeitas do mundo, tendo em vista seu remetente.

– Aquele sacana deve ter posto uma cobra aí dentro. Ninguém mexe! – disse doutor Nísio.

E foi até o quarto de tralhas dos fundos da casa procurar alguma coisa com que pudesse abrir a caixa em segurança. Voltou de lá com um enxadão e um porrete, para dar na cabeça do ofídio, assim que ele se libertasse da caixa.

Com cuidado, abriu com o enxadão a caixa, levantando as abas que a vedavam.

Lá dentro estava um faqueiro de prata, presente do amigo Batistinha.

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2 comentários em “HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI (VI)

  1. Riva Schuab disse:

    Gostei muito; e confesso aqui uma pontinha de sadia inveja, por tudo que fez e aproveitou da vida o Batistinha. Zéfábio. PS: tenhotilido. E muito gostado.

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