HISTÓRIAS DE BATISTINHA QUE EU SEI (X)

NÃO VOU ESTUDAR INGLÊS

Cheguei, um dia, no finzinho da tarde, à casa do Batistinha, numa deliberada intenção de pegar a janta da tia Colola. Encontrei meu primo sentado à mesa da sala, a cabeça apoiada com as mãos, cotovelos sobre o tampo e um livro de inglês aberto à sua frente. Ele devia estar no terceiro ano do curso ginasial.

Estava em atitude de estudo, sussurrando alguma coisa.

Tio Alcebíades, que às vezes passava de um lado a outro da sala, atrás do Batista, tinha-lhe passado o castigo de estudar inglês, em vista da nota catastrófica da sua caderneta escolar.

Sentei-me ao seu lado e o ouvi dizer em forma de recitação de ladainha, em voz baixa, para que ninguém compreendesse:

– Não vou estudar inglês. Não quero estudar inglês. Não preciso saber inglês. Para que é que eu quero isso? Não adianta, que não vou estudar!

E olhava para o livro, que – tenho a certeza – não estava vendo. Seu olhar perfurava o livro, a mesa e o chão da sala, indo parar não sei onde.

Quando atinei com a situação, resolvi dar meu conselho:

– Batistinha, já que você é obrigado a ficar aí na frente do livro, aproveita e estuda, que o tempo até passa mais rápido.

Sem sair daquela falsa postura de quem estudava, continuou a dizer:

– Não vou estudar inglês. Não quero estudar inglês. Não preciso saber inglês. Para que é que eu quero isso? Não vou estudar. Não adianta.

Calvin (em livrepub.blogspot.com).

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