PELOS QUATRO CANTOS

1. CORDEIRO-RJ: O COMUNISMO AVANÇA

Estou na RJ-116, na altura de Cordeiro, vindo para Miracema. O rádio do carro sintonizado na FM 94 local, no horário político. Depois de algum tempo anunciando os diversos candidatos (Acho que metade da população é candidata.), o locutor diz: “Agora o candidato a vereador do Partido Comunista Brasileiro: Louco!” O Louco fala por alguns segundos e termina pedindo voto também para prefeito: “Para prefeito, vote no 22!”

Depois as esquerdas não sabem por que espantam os eleitores.

É muita doideira, né não?

2. BOM JESUS DO NORTE-ES: O ALCANCE DA MODERNA TECNOLOGIA

Você está certo de que a tecnologia e a “mudernidade” são acachapantes. Como diz o Jaguar, ledo ivo engano! O troço não funciona bem assim! Há algum tempo, a secretária do lar da minha irmã jogou no lixo um naco de queijo roquefort, porque estava “podre, cheio de coisa verde”. Hoje teve de ser contida em seu ímpeto sanitário, para não fazer o mesmo com um pacote de café em pó embalado a vácuo, “já todo duro, empedrado, que não presta mais”.

3. MURIAÉ-RJ: UM CONFLITO DO CÃO

Meu sobrinho Bruno, brilhante médico infectologista e botafoguense equilibrado como sói, contra as ordens definitivas da esposa Simone, resolve adotar um projeto de cachorro preto e branco – as cores do Glorioso -, para gáudio e desfrute de seus quatro filhos dos dezenove aos quatro anos. Os meninos dão ao pequeno cão, da raça dog francês, o nome de Cidão, para que ele forme, como diz o avô da molecada e meu irmão Guth, o trio Seedorf, Cidinho e Cidão.

Quando o novo membro da família é levado para casa, a situação fica mais tensa do que no Oriente Médio: do lado árabe, a mãe; do lado israelense, os outros seis membros da família, aí incluído o cachorro. Bruno, então, recomenda cautela com o Cidão, sobretudo, a Manuela (4) e Davi (7). E estabelecem entre si um acordo de preservação do cão e de resistência heróica às investidas do “lado inimigo”, na esperança de que a cara de piedade do filhote derreta o coração empedernido de Simone.

Armam-se estratégias, conversa-se em voz baixa, maquinam-se ações.

Em dado momento, do quarto, Simone chama pelo marido:

– Bruno, venha aqui. Vamos conversar!

Mas ele, naquele instante, havia ido à cozinha e não ouvira muito bem.

Davi vai até ele, todo amedrontado:

– Pai, a mãe tá chamando lá no quarto. Agora, a gente tá morto, pai!

4. POR ESTE BRASIL AFORA-BR: INTERNET DE ALTA VELOCIDADE

Ainda na rubrica tecnologia e “mudernidade”.

A expansão da oferta de acesso rápido à Internet tem chegado aos mais remotos cantos do país.
Se, por um lado, a tecnologia resulta sempre no mesmo benefício técnico; por outro, os mais diversos rincões desta pátria tupiniquim anunciam de modo próprio a tecnologia de alta velocidade pretendida por todos.

Assim, em Carabuçu, minha terra natal, ela é a “velocidade de deitar o cabelo”. No Recife, bem como, de modo geral no Nordeste, é a “velocidade avexada”. Já no Ceará, na região do Cariri, é “ixe, Maria, meu padim Ciço!”. Em Belo Horizonte, é apresentada como “cadiquim rapidim demais da conta”, enquanto no resto do estado é a “trem doido, sô!”. Em todo pampa gaúcho, a propaganda a apresenta como a velocidade “com o pé no estribo”. E, na Bahia, do Recôncavo à Costa do Descobrimento, é “pra que se avexar, meu rei?”.

 

Cidão, objeto de encarniçada disputa, treinando para assumir o meio-campo botafoguense (foto de Lucas Mello).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s