JOGO-TREINO JUNGUIANO

O jogo amistoso de ontem, entre a seleção brasileira e a seleção chinesa – formada por jogadores de R$1,99 -, não teve objetivos táticos, técnicos ou estratégicos. Não se tratou propriamente de medição de forças futebolísticas entre diferentes escolas de futebol (se é que há escolas de futebol). Não se opôs Oriente contra Ocidente, Comunistas x Capitalistas, ou Incréus x Crédulos. Nem mesmo Falsificações x Autenticidades. O jogo, como disse Casagrande, nos comentários quase ao final da partida, serviu para a autoestima, a confiança e a segurança psicológica do grupo.

Aplicamos uma goleada histriônica nos chineses, que até colaboraram com um golzinho de lambujem para nós, apenas para que nossos jogadores não caíssem em depressão, não parassem nas mãos de algum psicólogo esportivo ou de algum dos milhares de palestrantes motivadores que andam por aí.

Fizemos toda aquela pantomima, convocamos a torcida, de quem se cobrou precinho camarada, para assistir a uma grande sessão de descarrego de nossa incompetência futebolística recente. Talvez um desses pastores televisivos pudesse poupar o incômodo de ir até o estádio a toda essa gente.

Escolhemos a dedo o cachorro morto a ser chutado e lhe aplicamos os golpes de misericórdia, para que nossa autoestima não chegasse ao fundo do poço. Isso chega a ser sadismo!

Além disso, o jogo também serviu para aliviar a consciência do técnico Mano Menezes, seus assistentes e a direção da CBF, que vão dormir tranquilos até os próximos jogos contra a Argentina – um aqui e outro lá –, nos quais também, já se engatilhou uma razão para nosso possível fracasso: só serão convocados jogadores que atuam nos dois países. Assim, ficamos livres da ameaça Messi (para fazer uma brincadeira sonora com aquele jogadorzinho metido a bom de bola!).

E assim vamo-nos encaminhar para a gloriosa Copa de 2014, com uma preparação de faz de conta, enfrentando moinhos de vento, para que as bravatas quixotescas de nossos dirigentes soem aos ouvidos dos torcedores como vitórias contundentes, como preparação bem planejada, bem executada.

Sei não, mas a Copa de 2014 pode deixar para o brasileiro uma tragédia mais avassaladora que o Maracanaço de 1950, quando o Uruguai nos tirou a taça, como quem roubasse pirulito da mão de criança.

E aí os psicólogos não darão conta de atender a tantos torcedores.

Imagem em prosaerisos.blogspot.com.

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