A BOLÍVIA, O PARAGUAI E A SUÍÇA

Há algum tempo, publiquei aqui o texto A Suíça e o caso ISL, que tratava da notícia então recente sobre o processo contra corrupção na FIFA e a manutenção do sigilo obtido pela entidade, com pagamento de multa à justiça suíça. Por ter decorrido o prazo da compra do silêncio, foram divulgados os nomes dos bois, dentre os quais notórias figuras brasileiras ligadas ao futebol.

De quebra, aproveitei para desconfiar da lógica ética de tal disposição legal e, no rumo de meus argumentos, puxei também velhas desconfianças acerca da neutralidade Suíça, cantada em verso e prosa, como um princípio do mais alto valor no concerto das nações.

E, enfiando os pés pelas mãos, também desanquei o fato de bancos suíços aceitarem depósito de dinheiro provindo de qualquer parte do mundo, sem que se levante a correção e a lisura de sua origem.

Recebi, ontem, um comentário muito bem escrito e argumentado de um leitor, que vocês podem ler junto àquela postagem. Só que, ao aprová-lo – autoridade que concede ao blogueiro o WordPress – lá está como se eu o tivesse escrito. Não fui eu, lógico, e peço desculpas ao autor por esta falha do meu senhorio virtual. Nas suas ponderações, o comentarista tece elogios à neutralidade, inclusive com relação ao recebimento do dinheiro internacional.

Ontem a mídia traz outra notícia, agora de nossas paragens sul-americanas, informando que o governo do Paraguai, num gesto parecido como o que os bancos suíços fazem com o dinheiro que lá chega, resolveu legalizar todo carro brasileiro roubado – e imagino que de outros vizinhos também – que lá chegue, através de suas fronteiras.

A Bolívia também já faz isso.

Boa parte desses veículos é trocada nesses países por drogas, que voltam a este solo pátrio, a esta mãe gentil. Lá os automóveis passam a circular com a inocência do desconhecimento da origem, tal qual o dinheiro sujo que abarrota o sistema bancário suíço.

Devemos ou não estranhar tal atitude dos governos paraguaio e boliviano? Qual a diferença que há entre o automóvel e o dinheiro, para que, quanto àquele, haja um estranhamento e, quanto a este, achemos que tudo está perfeitamente dentro do princípio da neutralidade, de não haver necessidade do conhecimento da lisura de sua entrada nos países.

Para mim, não há a mínima diferença. Ou a Ética é um princípio que não se possa aplicar a nações?

Imagem em gersonluiz.com.

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