PRIMAVERA, VERÃO, OUTONO, INVERNO

 

Imagem em blog.ibero.it.

Como diz o músico poeta, “Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos…”, setembro está pelo meio e, oficialmente, ainda estamos no inverno. A cada ano, o seu anúncio traz a esperança da primavera.

Quando criança pequena lá em Carabuçu – e aluno do Grupo Escolar Marcílio Dias –, gostava muito desse nome: primavera. Ele me sugeria uma prima bonita, morena, por nome Vera, que chegaria a qualquer momento. A professora, ao nos ensinar sobre as tais estações do ano, garantia que ela era a das flores, a preferida dos poetas e dos amantes. Menino, nunca notava muito nelas, a não ser no inverno, em que a temperatura costumava cair mais.

Naquele tempo, lembro-me de que – deveria ter meus oito ou nove anos –, num mês de julho, o termômetro do meu pai marcou oito graus. Acho que, depois, nunca mais fez tanto frio assim. O que mais nos afligia, o que mais regulava nossas vidas, era a alternância de chuvas torrenciais e estiagens prolongadas.

Aqui no Brasil as estações do ano são semelhantes às estações de trem de subúrbio: tudo mais ou menos parecido, sem muitas distinções e charmes especiais. Basta dizer que, nesta semana mesmo, houve uma sucessão delas: segunda-feira foi verão; terça, primavera; quarta, outono; e ontem, quinta-feira, inverno. Hoje, sexta-feira, ainda não sei bem qual a predominante. Olhando pela fresta da janela, presumo que seja outono, com cara de inverno. Ou inverno, com cara de outono.

Talvez por isso é que encontro alguns vizinhos de narizes vermelhos congestionados, olhos mortiços, reclamando de gripes monumentais, com duração de mês e tal. Até mesmo as gripes são diferentes.

Eu mesmo nunca fui muito chegado a gripes e resfriados – por que não sei – e, agora também, uso de minha prerrogativa de terceira idade para tomar a tal vacina antigripal, que deve funcionar realmente.

Daqui a pouco entrará a primavera com suas promessas retóricas, já anunciando o calor do final de 2012 e do princípio de 2013, com as catástrofes das tempestades.

Talvez a natureza saiba distingui-las perfeitamente e faça sua parte. Nós que estamos aqui na superfície, fazendo o diabo para atrapalhar, é que teremos de pagar pelas intervenções danosas ao planeta, que tentará, de todas as formas, fazer valer o que ele tem planejado para funcionar há bilhões de anos: a diferença entre as estações. Como as dos metrôs de Moscou e Estocolmo, em que cada estação é completamente distinta uma da outra.

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