O BOLINHO DE CARNE (Um conto antigo do tempo do João)

Há certos bolinhos de carne que – façam-me o favor! – é comer aqui e cair ali. Mas o bolinho de carne do boteco do Braz da esquina era o rei da indigestão. Chegava mesmo a ser meio criminosos o tal. Basta dizer que, quando o incauto cidadão o pedia, já vinha acompanhado de uma boa de dose de bicarbonato de sódio, brinde da casa. E não era dizer que fosse barato ou grande. É que ele tinha a fama de ter matado um guarda, estropiado os intestinos de um investigador de polícia da Invernada de Olaria, que teve de ser submetido a um desvio de reto, tanto que ora faz suas necessidades deitado, e entrevado um gari da prefeitura, de nunca mais sair atrás do desfile das escolas de samba no carnaval carioca. Coisas assim meramente banais. O mais interessante é que o bicho era feito na hora, quase à vista do freguês, dentro de um tacho de óleo de cor, odor e paladar indefinidos. O bolinho saía do mesmo jeito.

Até que deu Saúde Pública, SUNAB, Secretaria de Fazenda, Ministério da Indústria e Comércio, um monte de instituições, para examinar o dito bolinho. Resultado: o boteco foi proibido de continuar manipulando tal especialidade, até por questões de segurança nacional. É que, à época, havia um presidente que costumava frequentar botecos. E daí para comer um bolinho de carne era apenas questão de popularidade.

O retrato falado do meliante, segundo testemunhas idôneas.

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