VOU TENTAR EXPLICAR, QUE É PARA VER SE VOCÊ ENTENDE

Não bastasse toda a complicação da vida moderna, cheia de aparatos eletrônicos, leis, regulamentos, proibições, ainda conseguimos colocar mais um tempero nesse caldeirão com umas providências pra lá de esquisitas.

Minha irmã e minha sobrinha estavam com passagem comprada para vir a Niterói nesta última sexta-feira (ontem). Contudo houve alteração nos planos, e minha irmã se dirigiu ao guichê da empresa 1001, na rodoviária de Bom Jesus do Norte, para remarcar as passagens. O atendente lhe informou, então, que não poderia remarcar, porque isto deveria ser feito até três horas antes do horário da viagem, que seria às 9h50, e ela se apresentou um pouco depois das sete da manhã.

Ela alegou que estivera lá no princípio da madrugada e encontrou o guichê fechado. Não houve jeito de remarcar! É do regulamento!

Para que ela não ficasse no prejuízo, com a perda do valor desembolsado, ele a instruiu a voltar depois do horário de saída do ônibus e solicitar a revalidação da passagem. Aí, sim, seria possível revalidar os bilhetes, sem que ela tivesse prejuízo.

Qual é a lógica disto? Remarcar só com o mínimo de três horas antes da saída; revalidar somente após a partida do veículo. Não dá tudo na mesma? Que espécie de burocracia burra é esta que produz o mesmo resultado, mas exige horários e nomes distintos.

Quando minha irmã me contou, via telefone, o fato, veio-me à memória outro ainda mais surreal, que presenciei diante da bilheteria do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Não me lembro muito bem do ano em que isso se deu, mas os telefones celulares tinham aparecido no mercado há pouco.

Eu estava, diante do guichê, atrás de um homem que para lá se dirigira, a fim de fazer a reserva para um espetáculo de dança programado para daí mais um tempo. O bilheteiro informou que, infelizmente, as reservas só poderiam ser feitas através do telefone e não pessoalmente. O homem ainda insistiu, achando aquilo muito estranho, já que estava ali, de corpo presente, manifestando seu desejo de fazer a tal reserva. O bilheteiro foi inflexível – só pelo telefone! – e forneceu o número a ser contatado. Ali mesmo, ele ligou para o número indicado. E quem é que atendeu a ligação? O próprio bilheteiro informante! O mesmo abestado, que, sem titubear, fez, numa boa, a reserva pretendida pelo homem, cumprindo assim o regulamento da coisa!

Depois de ter conseguido o que queria, o homem desligou o telefone e soltou um sonoro palavrão, não acreditando que aquilo acontecera.

Dei uma boa gargalhada e comprei os meus ingressos com o mesmo cara de pastel que se escondia atrás de um biombo de ferro em estilo art nouveau do guichê do majestoso Teatro Municipal.

Pelo visto, o mesmo princípio de trabalho continua fazendo escola, décadas depois!

Imagem em fmanha.com.

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Um comentário em “VOU TENTAR EXPLICAR, QUE É PARA VER SE VOCÊ ENTENDE

  1. Boa Saint-Clair. Não pude clicar em gostei, pois não tenho a tal da senha burocrática….

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