UMA LIÇÃO DO MENSALÃO

Nem tudo o que está ocorrendo no julgamento do processo do Mensalão (Ação Penal 470) deve ser entendido pela opinião pública na letra fria da lei, como costumam dizer os juristas.

Não sei mesmo se a opinião pública entende alguma coisa, ou se apenas reage àquilo que lhe pareça insuportável.

E digo isto em função da declaração de inocência de algumas das pessoas envolvidas no esquema lá denunciado pelo Ministério Público Federal.

Quero crer que apenas tecnicamente se possa entender que haja inocentes dentre eles. Isto significa dizer que o MPF não foi capaz de juntar as provas necessárias a que se demonstrasse a culpabilidade de todos.

Não há inocentes ali!

Duda Mendonça, por exemplo, que foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas, não é uma pessoa inocente. Inocentes são meus netos, menores impúberes – expressão tão ao gosto da linguagem jurídica. Um homem como Duda Mendonça, renomado publicitário brasileiro, burro velho, como se diz na minha terra, deixou a inocência em sua tenra infância lá na Bahia.

Eu, que sou muito mais bobo do que ele, se chamado a prestar algum serviço, cujo pagamento se dê em depósito em paraíso fiscal, onde deva abrir conta bancária, já saberei que o dinheiro não pode vir de fonte limpa. Além do que – tenho certeza – estarei cometendo algum ilícito fiscal. Qual, não sei! Mas estou certo de que estarei armando algo ilegal.

Ele, inclusive, teve o cuidado de, dentro do prazo estipulado pelo Banco Central do Brasil, rapar sua conta no exterior, deixando ao final valor inferior a cem mil reais em depósito, o que o desobrigava a prestar conta às autoridades monetárias.

Ele é inocente?

Não estou dizendo aqui que não devesse receber pelo serviço prestado – assessoria à campanha de Lula em 2002. Se trabalhou, merece receber. Mas o modo como recebeu é suspeitíssimo.

E agora o STF lhe dá um atestado de inocente. Não só a ele, também a outros, inclusive à sua sócia.

Por isso é que é necessário aprender também com o mensalão: nem sempre os réus inocentados são pessoas em cujo coração a inocência passeie de tamancos.

Aliás, muito pelo contrário! São todos velhas raposas de rabo felpudo.

 

Imagem em pesquisa-total.com.

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