ACIDENTE EM BRASÍLIA

Não desejo ser precipitado, nem pessimista, mas quero crer que, com o estabelecimento do quantitativo das penas para os condenados do Mensalão, vamos ver repetida aquela história de que, entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Para a coisa não ficar estranha, quem absolve não pode participar dos acordos para estabelecer pena. Para o benefício dos réus, bastam os que já os condenaram com o coração partido, como parece ser o caso dos ministros Lewandowski e Toffoli. Este último, inclusive, nem deveria ter participado do julgamento, dando-se por impedido, para que pudesse começar sua vida no Supremo com um gesto de isenção. Isto, porém, não aconteceu.

A justiça brasileira tem o vezo de aplicar penas alternativas – doações de cestas básicas, serviços comunitários leves – para condenados de certa estirpe. Até mesmo em casos de atropelamento com morte do pedestre, é comum se trocar a vida do cidadão por alguns quilos de arroz com feijão e, assim, deixar todas as consciências com suas dores aplacadas. Se é que doem as consciências!

Por isso é que receio agora pelas penas do Mensalão. Serão cumpridas, já que compridas não serão? Tomara que não terminem como as penas do tiê:

“Vocês já viram lá na mata a cantoria/da passarada, quando vai anoitecer…”

Tiê-sangue. Foto de Meire Ruiz, em olhares.uol.com.br.

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