NITERÓI PERIGOSA

Viver em Niterói, que já foi tranquilo, agora é uma atividade de risco.

Além dos problemas diários de trânsito, a violência vem fazendo da cidade um lugar de medos e tragédias.

Não temos certeza de que, se sairmos de casa em qualquer horário, voltaremos sãos e salvos. Mas, sobretudo, à noite e pela madrugada, o cidadão está mais exposto à sanha dos criminosos.

Eu mesmo, há anos, não me aventuro mais a ir até a Rodoviária Roberto Silveira à noite. E reparem que ela se localiza quase no centro da cidade. Por isso, sempre que chegam parentes do interior, peço-lhes constrangido que tomem um táxi. Ao voltarem, a mesma coisa: indico-lhes táxi. Já sofri assalto por volta das 20h de um dia comum, na esquina da Rua Barão de Amazonas com Avenida Amaral Peixoto, ao lado do Banco do Brasil, quando de lá retornava. Fora outras tentativas pela cidade: uma às sete da manhã, na Miguel de Frias; outra, no início da tarde, no Jardim São João.

E não sou pessoa dada a medos. Mas tudo tem seu limite. E é preciso cautela. A cidade faz do cidadão um prisioneiro do direito de ir e vir.

Ontem, por exemplo, foi assassinado em Icaraí, numa tentativa de assalto, o desembargador aposentado Gilberto Fernandes, de 78 anos.

Conheci doutor Gilberto quando tomei posse como funcionário do Tribunal de Justiça, nos idos de 1969. Ele já era um brilhante advogado que militava no fórum da capital do antigo Estado do Rio de Janeiro. Educado, simpático, desprovido da vaidade tão comum aos profissionais da área, sempre estava com um sorriso no rosto ao se dirigir até mesmo ao mais simples servidor, como era o meu caso.

Tempos depois, doutor Gilberto prestou concurso público para a magistratura estadual e se tornou juiz de direito e foi sido promovido, anos depois, ao cargo de desembargador.

Ontem, ao ir buscar seus netos adolescentes na escola, foi abordado por dois criminosos que o assassinaram friamente, como tem ocorrido com uma frequência assustadora nestes últimos tempos.

Como diz a canção popular, “viver é muito arriscoso”, mas em Niterói já está passando um pouco da conta!

 A onda crescente de violência urbana

  Desenho de J. Barros (em pt.bruel.org.br).

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