HISTORINHAS RÁPIDAS MUITO PRÓXIMAS DA MENTIRA

1. MORENINHO era um dos barbeiros da minha vilazinha de Carabuçu, nos idos do 50/60. Tinha um salão bem frequentado, aonde homens iam para fazer cabelo e barba, engraxar sapatos e trocar um dedo de prosa. Dentre suas características pessoais, além do bom humor, tinha reconhecida predileção por carne. Para ele, prato em que houvesse carne não poderia ser ruim.

Assim, com frequência, aparecia um amigo contando sobre determinado prato que a mulher fizera e que ficara muito gostoso. Certa vez, um deles disse que a esposa lhe preparara uma sopa saborosíssima. O barbeiro desconfiou. Então ele começou a enumerar os ingredientes: cebola, alho, folha de couve, batata… E, a cada legume enumerado, Moreninho resmungava um hã! E continuava o amigo: maxixe, mandioca… E Moreninho: hã! E ia o amigo alongando a enumeração dos ingredientes, como se a panela coubesse tanto, porém na intenção de ver até onde chegava a expectativa do barbeiro. E parava no último item enumerado: uma pitada de pimenta do reino.

Então, não se aguentando mais, Moreninho perguntava:

– Mas só isso? E ficou boa como você está dizendo?

E o cara, matreiramente, dizia:

– Bem… ela pôs uns pedaços de carne também no meio.

– Com carne, meu amigo, até sopa de pedra fica gostosa! – exclamava o voraz e carnívoro barbeiro.

E caíam todos na gargalhada.

Sopa de pedra (em petiscos.com).

2. MEU TIO INÁCIO GARCIA era um reconhecido mau motorista. Tinha um caminhão Ford Gigante que fazia transporte de pequenas cargas. O nome do modelo não era de se levar a sério.

Certa noite, voltando para a vila, depois de pegar encomendas na estação ferroviária de Santo Eduardo, vila a alguma distância de Carabuçu, trazia consigo na boleia o amigo Domingos Peçanha.

Segundo Domingos Peçanha, tio Inácio vinha que vinha, com o caminhãozinho dando tudo que podia, desbravando a estradinha de chão, sob a fraca luz dos faróis da época. Em frente à propriedade do João Monteiro, próximo à vila, antes de passar pela ponte de madeira, pega de frente uma vaca que, desavisada, lhe atravessou o caminho. O impacto foi duplo, como se ecoasse.

Tio Inácio não parou o caminhão para ver o que ocorrera e dirigiu até sua casa, em frente à pracinha da vila.

Quando ele e Domingos Peçanha apearam do caminhão, deram com a vaca estrebuchada no teto da boleia do poderoso Ford Gigante.

3. OS IRMÃOS  e amigos Bebeco, Teco, João e Alcino não ficaram nada satisfeitos por não terem sido convidados para uma festa que ocorreria no salão da vila, onde sempre havia bailes, e tramaram acabar com ela de um modo inusitado.

Passaram o dia numa dieta especial: repolho, feijão, angu, batata doce, papa de milho verde, principalmente, e outros alimentos capazes de produzir bastantes gazes intestinais.

À noite, assim que a função começou, os quatro adentraram o pequeno salão e acabaram com a festa a poder de muitos e fedorentos peidos.

Na época em que isso ocorreu, felizmente, eu ainda não era nascido, mas soube que até a rua em frente ficou intransitável. Ou melhor, irrespirável!

Cada terra tem os “imperdoáveis” que merece!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s