PAPO DE FUNERÁRIA

Há uma moça bonitinha, em propaganda na tevê, com um sorriso nos lábios, oferecendo o plano funerário da Santa Casa Copacabana. Segundo ela, é o negócio da nossa vida (ou da morte?), de tão bom que é.

Pelo que entendi, há várias modalidades, vários tipos: podem entregar o de cujus aqui, ali e acolá, em carros novos. Até mesmo no estrangeiro, o plano promete a inumação do freguês.

Se o cliente se associar agora, paga com cinquenta por cento de abatimento. É realmente uma pechincha, caso você queira abotoar o paletó, fazer a passagem, desencarnar afoitamente.

Concorrendo com ela, em outra propaganda, aparecem Eva Todor e Francisco Cuoco, sentados e dividindo um texto bem humorado, talvez para mostrar que morrer não seja tão mau negócio assim. E, pela idade, eles quase nos convencem.

Oferecem até mesmo um plano em que se dá ao cliente um prazo de sobrevida de doze meses. Ou não parcelariam a adesão em suaves prestações mensais.

Essas campanhas me trazem à memória um fato ocorrido com Jane, minha mulher.

Há cerca de vinte anos ou mais, estávamos prontos para sair e comemorar, com um jantar, o aniversário dela, quando toca o telefone.

Jane, toda emperiquitada, já com a bolsa na mão, volta para atender a ligação. Era uma jovem corretora de funerais de um cemitério-parque, inaugurado por aqueles dias no Pacheco, em São Gonçalo.

Naquela oportunidade, estávamos bem menos dispostos a esse tipo de evento que hoje. E foi o que Jane falou para a moça:

– Poxa vida, logo no dia do meu aniversário, você liga para oferecer plano funerário!

A moça se desculpou, constrangida, e nós saímos para jantar, sem a mínima disposição de vestir o paletó de madeira.

Agora fico olhando a mocinha simpática e seu plano boa praça e me vejo mais para a idade de Eva Todor e Francisco Cuoco, ainda que falte um bom eito da estrada para chegar lá. Mas já ponho as barbas de molho.

Sei não, mas é melhor continuar achando que comprar uma sepultura seja um negócio meio esquisito!

Quando eu morrer, podem cremar meu corpo, porém ao ponto. É que nunca gostei de carne bem passada.

 

Imagem em hotfrog.com.br.

 

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