MY BLACK FRIDAY

Pressionado por todos os lados – rádios, tevês, jornais, internet –, mais cercado que palpite de jogo de bicho, fui tragado inapelavelmente pela febre da tal Black Friday, esse estrangeirismo que invadiu nosso país, na trilha do Halloween, do Thanksgiving, do barato do Barak e sua reeleição badalada.

Acordei cedo, num dia que considero propício a ficar até mais tarde na cama, e já fui acossado pelo pedreiro que veio consertar o problema de vazamento de gás no apartamento. A poder de martelo e talhadeira, o profissional fez uma azulejicina na minha parede, perfurou o armário da pia, traspassou a poder de makita a parede do aquecedor, estendeu tubos de cobre cheios de joelhos e curvas, que sacramentou com solda. Um transtorno só! Depois de reconstruir o que havia destruído e com o vazamento solucionado, liberou o espaço para limpeza. Consegui o concurso de uma ajudante, para dar jeito na bagunça estabelecida.

Além disso, como uma desgraça nunca vem desacompanhada, fui beneficiado por uma rouquidão insidiosa, misturada a tosse e dor de garganta, de que ainda não me vi livre por completo e me exigiu o desembolso de razoável pecúnia em sanativos no comércio local.

E pensam que havia blequi-fraidei para os remédios? Nada disso! Quanto mais os farmacêuticos desconfiam que ficamos doentes, mais os remédios sobem.

Nesse interregno – sempre quis escrever essa palavra e agora chegou a hora –, fui convidado para duas festas no sábado: uma, movida a feijoada completa, com tudo a que se tem direito; a outra, a peru pelo dia de Ação de Graças.

Desgraçadamente tive de abrir mão das duas, para não submeter meus amigos a sessões de tosse seca – tipo tosse de cachorro – a intervalos regulares. E eles não fazem ideia do que se livraram. Eu mesmo não me estava suportando.

O único bom negócio que fiz nesta sexta-feira negra – recusei até ofertas irrecusáveis do estrangeiro – foi não gastar nenhum centavo comprando qualquer tipo de quinquilharia. Pode até ser que a partir de hoje compre, mas não me deixei influenciar pela propaganda massiva.

Também, estava tão depauperado (Não façam mau juízo!), que não tive ânimo para mais nada, sobretudo no final do dia, quando o pedreiro veio cobrar a conta do serviço.

Esta Black Friday realmente foi uma sexta-feira negra!

Desconjuro, pé de pato, mangalô três vezes! Sai pra lá, encosto!

O tranquilo ambiente de compras nesta última sexta-feira (imagem em dailyfinance.com).

———-

PS: Observem que nem toquei no desastre de domingo do meu time, para não estender a catástrofe além da sexta-feira.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s