TRAGÉDIAS A MANCHEIAS

Esta última tragédia norte-americana – o massacre de vinte e seis pessoas, a maioria crianças, em Newtown, Connecticut – não será a última. Ainda muitas outras estão sendo engendradas, neste momento, em cérebros doentios e inflados por uma política de direitos individuais que beira à insanidade, por autorizar a compra indiscriminada de armas de fogo.

Segundo noticiário, há naquele país mais armas que cidadãos, e em alguns estados é permitido que pessoas andem armadas em locais públicos, como nos tempos do faroeste.

Sabe-se que a história dos países foi feita na base da arma, da guerra, da matança. Raríssimos são os que não têm em sua história até episódios fratricidas.

Os Estados Unidos, então, têm uma história trágica com arma de fogo.

O desbravamento do Oeste americano se fez a poder de rifle e revólver. A matança era generalizada. Matavam-se primeiramente os índios que opuseram resistência à marcha branca para o Oeste. Lá instalados, os brancos matavam-se a si próprios, numa disputa por territórios e riquezas, como o próprio cinema de Hollywood registrou em centenas, talvez milhares, de filmes.

Mesmo em países em que o uso da arma é controlado – ou pretensamente controlado, como no Brasil –, há um arsenal na mão da população civil. No nosso caso particular, principalmente na mão de bandidos e marginais de toda espécie.

Ora, franquear a venda de armas e ainda permitir que se ande armado é um convite a que tragédias assim se repitam, vez que o cérebro humano é terra desconhecida e capaz das piores ideias.

Muitos dos assassinos seriais são descritos como pessoas normais, jovens estudiosos, inteligentes – como este de agora –, o que, no entanto, não é garantia de que, de posse de armas, alguém não se transforme num criminoso monstruoso.

Qual é a lógica de se permitir que isto continue acontecendo, apenas porque não se pode tirar tal direito individual? E até que ponto o direito individual pode sobrepujar o interesse público, a segurança dos demais cidadãos?

Mas os Estados Unidos estão habituados a carnificinas. Quando não é em solo estrangeiro, com as armas de seu poderoso exército – o que é aceito pacificamente pela opinião pública ianque –, é em seu próprio território. Então todos se chocam, se lamentam, choram. Principalmente quando há inocentes envolvidos.

Contudo, quantos inocentes são imolados por esse mundo afora pelas armas norte-americanas?

São tragédias a mancheias, como se dizia outrora, que nosso irmão do Norte está habituado a produzir.

Imagem em deolhonocariri.com.br.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s