ANTES E DEPOIS DO CAFEZINHO DA TARDE

Como faço frequentemente, fui tomar um cafezinho com o amigo Zatonio Lahud Neto, plenipotenciário editor do blog Interrogações, também Barão de General Severiano e dublê de Sir Pai Zatonio de Xangô.

A cafeteria é sempre a mesma: no edifício da esquina das ruas Moreira César e com Guilherme Greenhalgh, em Icaraí.

Quando ia para lá, contudo, ocorreu uma cena rápida logo no início da Rua Miguel de Frias. Ao entrar nesta rua, corria um vento forte vindo da praia. Tive de segurar meu chapéu de panamá, comprado recentemente na feira da Rua do Lavradio, para que não voasse. Neste mesmo momento, observei que, na ilha da bifurcação da rua com a Praia de Icaraí, ia uma mulata a segurar sua saia estampada.

Neste instante, ocorreu-me um pensamento saliente em forma de versos. Tive de parar para anotar no celular, a fim de que não o perdesse. Divido-o aqui com o leitor amigo:

VENTA NA PRAIA

Venta forte na praia
Eu seguro meu chapéu
A bela mulata segura sua saia
Meu Deus
Nesta hora ingrata
Se há alguma coisa a voar
Que seja a saia da mulata

Depois de anotado o texto, segui ao encontro do Zatonio.

Lá, em companhia de seu fiel escudeiro Toy, um grande filão de pão de queijo e vigilante atento do movimento circundante, ele e eu sentamo-nos a uma mesa na calçada e ficamos saboreando cafezinhos, olhando – às vezes um tanto embasbacados – a natureza viva que desfilava à nossa frente, falando de política, de literatura, de atualidades e de esportes, sobretudo do Botafogo, nossa paixão e nosso desespero da vida inteira.

Depois de debulharmos alguns assuntos – gostamos muito de falar mal desses aproveitadores da boa fé alheia que arrecadam dinheiro em nome de Deus – embicamos o assunto para o jogo de domingo contra aquele time lá da Gávea.

Nessas ocasiões, a cafeteria quase vira o muro das lamentações. E, para não ficarmos só os dois a meter o pau em Osvaldo de Oliveira e sua burrice ontológica e antológica, o vizinho da mesa ao lado pediu a palavra e corroborou todos os argumentos que Zatonio desfiava e acrescentou mais outros pertinentes. Era ele também botafoguense.

Perdemos de 1×0, mas para o Flamengo a derrota é uma catástrofe de proporções alarmantes, quase haitianas ou paquistanesas.

E meu café só não foi mais amargo, porque já o tomo mesmo sem açúcar.

Depois disto, voltei para casa, mas tinha a incumbência de comprar uma cabeça de alface na quitanda de luxo. Entretanto resolvi passar pela praia, desconfiado de certa luz especial que entrava pela Rua Presidente Backer. Ao chegar à esquina com a praia, dei de cara com mais um pôr do sol especial, em Technicolor e Panavision, como nos velhos filmes de Hollywood.

É este que está aí abaixo.

Bom dia!

Icaaí pôr do sol 20130218

Pôr do sol na Praia de Icaraí, Niterói-RJ (foto do autor).

3 comentários sobre “ANTES E DEPOIS DO CAFEZINHO DA TARDE

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