MUDANÇA DE ESTAÇÕES

O interessante das mudanças de estações no Brasil, especificamente na região do Rio de Janeiro, é que elas mudam e você quase não percebe.

– Ué, já mudou?! Nem senti! Estava distraído.

Até poeticamente se pode cometer alguma coisa falando de outono, inverno, primavera e verão, embora não sintamos verdadeiramente na carne alterações substanciais de uma para outra.

Agora mesmo entrou o outono. Saudei-o com mais um poema a ser postado em breve em Asfalto&Mato. Mas percebe-se que, na realidade, ele não entra de sola, como beque ignorante. Talvez no Hemisfério Norte, na Islândia, por exemplo, destino preferido de minha sobrinha Sheila, para ver fendas geológicas e catástrofes naturais eternizadas em gelo e neve, tais câmbios se façam mais sensíveis. Aqui, não!

Aqui, pelo menos por enquanto, tudo continua como dantes. Andou até fazendo uma temperatura um pouco melhor, isto é, mais branda. Contudo, neste verão, também ocorreram dias de termômetro civilizado. Em dezembro, por exemplo, nem tanto calor fez. Apenas em alguns poucos dias, o bico do maçarico ficou ligado, sobretudo em janeiro e fevereiro.

Vi, certa vez, num jornal televisivo local, diante do mar do Arpoador, um meteorologista falando sobre a chegada do outono. Dizia ele, então, que essa estação é um tanto sem personalidade: ora quer ser verão, ora quer ser inverno. Pode ser. Não sou psicanalista ou psicólogo, para chegar a esse ponto de análise.

Possivelmente as pessoas alérgicas sintam, com um pouco mais de intensidade, a chegada do outono. Diziam-me no curso primário, lá em Carabuçu, na década de 50, que é o tempo dos frutos, que o ar estaria cheio de pólen para a fecundação das plantas. Realmente nunca prestei muita atenção a isto. Quando a goiaba estivesse madura, eu aproveitava. Ou jenipapo! Porém nunca sabendo a época em que isto se dava.

O inverno, por seu lado, como diz Priscilla Ann Goslin, em seu livro How to be a carioca, destinado a turistas que vêm ao Rio de Janeiro, dura uma semana. Quando é muito rigoroso, dura duas. E sempre com temperaturas suportáveis para suecos e finlandeses, siberianos e esquimós.

Depois do inverno vem a primavera. E eu nunca notei nada de diferente. Talvez aquelas duas semanas de inverno rigoroso não aconteçam mais. Porém a profusão de flores, a explosão colorida da natureza, nunca se percebe. A não ser que você seja trabalhador em floriculturas em Holambra, Nova Friburgo ou Barbacena. Ou trabalhe no CADEG, em Benfica, vendendo flores e plantas. Daqui do décimo terceiro andar onde moro, nada se nota de primaveril no ar.

Provavelmente apenas o verão seja a nossa grande estação, apesar de algumas vezes aprontar com dias mais suaves. Ela começa logo depois do fim das férias escolares do meio do ano e termina um pouco antes das festas de São João do ano seguinte. A trégua, no interregno, tenho a impressão, é só para permitir que se possa acender uma fogueira, assar uma batata e botar para dentro do peito algumas doses de quentão.

Ah! e também encher de biquínis mínimos nossas praias.

Acho que vou oferecer meus conhecimentos meteorológicos para uma emissora de tevê por aí. Sou muito bom nisso!

Inverno em Carabuçu (imagem em hypescience.com).

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