NICOLÁS ESTARÁ MADURO PARA SUCEDER CHÁVEZ?

Consta do currículo do atual e candidato à reeleição a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que ele era maquinista do metrô e não tem curso superior. Isto verdadeiramente não significa nada, em se tratando do preenchimento do cargo mais importante de um país. Caso fosse, por exemplo, para escrivão de cartório, aí a coisa mudaria de figura e se exigiria curso superior completo e sacramentado de Direito, mais um concurso público de provas e títulos. Presidente, qualquer um pode ser. É só o eleitorado querer. Tiririca, por exemplo, pode ser presidente, mas não pode dar aula para alfabetização no Brasil.

Mas também não significa dizer que alguém menos letrado seja menos competente para o cargo que alguém mais letrado. Ou que um ateu seja pior que um devoto. A História tem exemplos marcantes sobre isso.

No entanto, contudo, todavia, entretanto, pergunto-me – e tal dúvida divido com você leitor – se Maduro estará maduro para suceder Chávez.

Ele até poderá alegar em sua defesa que, como ex-maquinista, tem todas as condições para dirigir a Venezuela. Afinal devia dirigir trens complicados, cheios de tecnologia.

Não quero aqui parecer antipático à revolução bolivariana e aos reais benefícios que ela trouxe para a classe menos favorecida do nosso vizinho do norte. Não sou maluco de não reconhecer isso. Nem mesmo o carisma e a liderança do presidente morto.

Só me causa certo desconforto é a exploração que Maduro – seria ele um tanto verde em política? – tem feito do cadáver de seu ilustre comandante, no intuito de se validar como seu herdeiro político. Isto a se dar crédito a coisas veiculadas pela imprensa burguesa e reacionária que domina a comunicação de massas no mundo inteiro.

Pois não é que, por ocasião da eleição do Cardeal Bergoglio a Papa, Maduro foi dizer que Chávez mexeu seus pauzinhos lá no céu e intercedeu junto ao Todo Poderoso pelo hermano.

Vem agora dizer que Chávez apareceu para ele em forma de passarinho e o abençoou.

Maduro pegou pesado. Ou andou tomando muito chá de coca. Transformou Chávez numa versão bolivariana do Espírito Santo e a si próprio, num apóstolo. Aquele mesmo Espírito Santo que iluminou a mente daqueles mesmos apóstolos, logo após a crucifixão de Cristo.

Daqui a pouco, Maduro, mesmo sem o lustre das belas-letras, irá escrever uma nova versão da Bíblia: Bíblia Popular Bolivariana.

Vou lhe dar um conselho, Maduro: para vencer o candidato da oposição que mais parece um boneco playmobil, cheio de veias saltadas no pescoço ao discursar, basta seguir o ensinamento do Che: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”.

Nicolás Maduro (em dn.pt).

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