A DENGUE E OS PREGUIÇOSOS

A dengue era doença desconhecida por nós há alguns anos. Eu, que já estou na fase terceira da vida, como abonam as filas em que tenho preferência, não a conhecia. E, desde que chegou, já se ouviu de autoridades que se tornaria endêmica, motivo por que deveríamos estar preparados para conviver com ela.

Ora, a dengue – aviso que não sou médico, nem especialista no assunto – é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Não há contágio interpessoal. Depende apenas dele.

A cada ano, vemos ampliar-se a área de atuação do mosquito, já disseminado por todo o país, e os casos de infestação. Todos sabemos que os insetos são proverbiais reprodutores e necessitam de pouquíssimas condições favoráveis a que se multipliquem velozmente.

Por que é, então, que nossas autoridades não tomaram as devidas medidas sanitárias para, no início, acabar com os mosquitos? E não venham me dizer que isso é impossível. Oswaldo Cruz, com muito menos recursos científicos e materiais, saneou o Rio de Janeiro, até mesmo contra a vontade da população e de boa parcela de nossas elites. Varreu daqui a febre amarela e a varíola.

Parece, no entanto, que há um sem-número de prefeitos que aguardam ansiosamente a chegada da epidemia, para receber recursos federais que, obviamente, não são aplicados em sua totalidade no combate à doença. E, assim, para o próximo ano serão novos casos e mais verbas.

Um amigo me disse que certo funcionário da saúde de um município fluminense (Não vou dizer qual é, porque não tenho provas.) comentou com ele que lá, naquele município progressista, há dezessete caminhonetes de fumacê. Delas, apenas três saem com o produto que combate o mosquito. As outras quatorze aspergem névoa de água. E isto é feito deliberadamente. Criminosamente.

Eu mesmo nunca tive dengue, embora familiares meus já tenham sofrido com a doença. E vejo, cada vez mais estarrecido e impotente, notícias alarmantes sobre a evolução dessa tragédia anunciada e, para a qual, as autoridades não se prepararam, não tiveram vontade e, talvez criminosamente, tirem dela proveito financeiro, por vias escusas e abjetas.

Não posso entender, na minha ignorância do assunto, como hoje não se consegue debelar esse inseto, tendo em vista que, há mais de cem anos, Oswaldo Cruz conseguiu fazer ação sanitária eficiente na região do Rio de Janeiro e de Belém do Pará, acabando com a varíola e a febre amarela.

A saúde pública está acima da desídia das autoridades e da indolência da população.

O mosquito pode ser dengoso, mas nossas autoridades são criminosamente preguiçosas.

Ficheiro:Oswcruz.jpg

Oswaldo Cruz, um herói brasileiro (em pt.wikipedia.com).

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