O TERROR DA PANELA

Quando fazia meu Curso Científico no Colégio Coronel Antônio Honório, na década de 60, tive um professor de Química, seu Aderbal, de São José do Calçado, que certa vez contou, em tom de ilustração para uma de suas aulas, que uma conterrânea sua (e também do meu amigo Zatonio Lahud Neto) colocou feijão para cozinhar numa panela de pressão recém-adquirida ao comércio local. Passado algum tempo de cozimento, houve uma explosão tão devastadora daquele singelo artefato culinário, que a tampa arrebentou o telhado, destroçou a caixa d’água colocada logo acima e voou por esse céu de meu Deus afora de não ser encontrada até aquela data. A cozinha ficou toda manchada de caroços de feijão, de modo que as paredes pareciam aqueles tecidos pied-de-poule, então na moda.

Na época, eu não era afeito à cozinha, a não ser na parte que me cabia comer as coisas que ali se produziam. E tomei certo horror a um instrumento que, em vez de beneficiar o usuário, colocava sua vida em risco. Se bem que a proprietária do artefato explosivo da montanhosa cidade de Calçado não tenha sofrido nem mesmo uma sapecada de caldo de feijão fervendo, porque, no exato instante do acidente, estava na sala costurando a camisa nova do marido.

Na minha casa, por aquele tempo, essa modernidade ainda não havia chegado. De modo que minha cisma não me produziu nenhum pânico maior, embora até hoje tome conta dos chiados que a panela de pressão produza. Qualquer assobio diferente é motivo para alerta.

Pois não é que, agora, precisando comprar uma nova, já que a minha está muito usada e com certa folga na tampa, estou temeroso de me dirigir a uma loja especializa e ser tomado como possível terrorista.

Esse foi o grande mal que aqueles dois malucos do Daguestão – os irmãos Dzhokhar e Tamerlan Tsarnaev (Também com uns nomes desses!) – estão causando ao desenvolvimento da culinária internacional. Se bem que nunca tenha visto nenhum grande chefe de cozinha utilizar panelas de pressão!

Um simples apetrecho doméstico, facilitador de nossas vidas, foi erigido à categoria de perigoso artefato terrorista, capaz de matar pessoas e devastar ambientes, pela ação dos irmãos Tsarnaev.

É, de fato, um grande desserviço à causa da comodidade do lar.

E, por isto, já peguei birra com o Daguestão. Minha próxima viagem de férias vai ser para Paris e não mais para Makhachakala, a aprazível capital daquela república caucasiana.

Lá eles não verão a cor do meu dinheiro! Não estou aqui para promover terroristas paneleiros. Ou paneleiros terroristas!

A seguir, transcrevo da Wikipedia o nome do Daguestão em algumas das várias línguas oficiais faladas no país. São trinta línguas, ao todo, faladas por menos de 3 milhões de habitantes. Um país assim não pode dar certo, não é mesmo?

Республика Дагестан (russo)
Dağıstan Respublikası (azeri)
Дагъистаналъул Республика (avar)
ДегIeстан Республика (checheno)
Дагъистала Республика (dargínica)
Дагъыстан Республикасы (kumyk)
Дагъусттаннал Республика (lak)
Дагъустандин Республика (lezgui)
Дагъустандан Республика (tabassarã)

Anatomia da panela de pressão (em vocesabia.net).

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