IDEIAS ESTAPAFÚRDIAS

De vez em quando, sou assaltado – no bom sentido, é claro – por ideias estapafúrdias. E fico pensando em quem se favorece delas. Eu não sou, certamente! Muito menos os que me estão próximos. Você, então, caro leitor, que se encontra do lado de lá de uma ligação eletrônica virtual, muito menos.

Contudo tais ideias pedem para ser expressas, necessitam de ar puro, almejam pela tal liberdade garantida pela Carta Magna. E quem sou eu para lhes sonegar esse desejo?

Assim, venho aqui dar vazão a algumas delas. As outras, por favor, queriam ter a paciência de aguardar um pouco mais, que a sua vez chegará.

a) Sobre a lei do retorno – A chamada lei do retorno só se efetivará, caso o passageiro compre bilhete de ida e volta. Só uma perna da viagem não dá direito ao retorno, o que pode frustrar o cara que fica sentado esperando. Se se tratar de indigestão por bebida ou comida excessivas, a lei do retorno funcionará direitinho, não importando o tempo e/ou o lugar, com perigo, inclusive, de salpicar respingos nos circunstantes.

b) Os últimos serão os primeiros – Se virar a tabela do campeonato, apenas. Isto no caso do futebol. No caso dos passageiros do metrô na hora do rush, vale para o momento do desembarque. Quem entrou por último no vagão, apertado pelo gentil empurrador da estação de embarque, será cuspido da composição, tão logo ela abra a porta, na estação desembarque.

c) Quem dá aos pobres empresta a Deus. – Em primeiro lugar, vai depender do que se dá aos pobres. Depois, também, há muito pobre ganancioso que, quanto mais se lhe dá, mais ele quer. Por outro lado, também não sei se Deus está disposto a pagar. Pelo que me consta e pelo que a mídia notícia, o crédito maior está do lado Dele. Talvez, se houver sinceridade na doação, se possa abater na dívida. Receber alguma coisa desse empréstimo é coisa quase improvável. Portanto, resolvendo dar para um ou mais pobres, você dará por sua conta e risco.

d) Sobre política e economia – A única coisa certa, no caso, é que essas duas andam de braços: onde uma está, a outra estará. Cada uma tentando tirar partido da outra. E, quando nenhuma das duas dá certo, cada uma busca justificar a outra. A política, todavia, me parece mais esperta do que a economia, porque jamais economiza em nada, sobretudo na vontade de tirar o mais que pode da economia.

e) A destinação da alma dos políticos – Tão logo sofram o processo de desencarnação, quer dizer, abotoem o paletó que usaram nas sessões das câmaras e assembleias, bem como nos diversos cargos eletivos, os políticos terão suas almas destinadas a uma espécie de centro de triagem. Não irão para o céu, porque alma de político não chegará a tanto, mas também não irão para o inferno, porque o capeta não quer concorrência. Assim, ficarão nessa espécie de pauta parlamentar de sexta-feira, em que se julgam vetos presidenciais, indefinidamente, que é para ter a exata noção de tempo perdido. E perderão também o direito de reencarnar. Nem cachorro as quererá.

2013-04-20 10.31.1040769

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