BOM JESUS DO ITABAPOECO

Tenho ido com muita frequência a Bom Jesus. Aliás, quando se diz algo assim, significa dizer que vamos a duas cidades de dois estados diferentes, ao mesmo tempo: Bom Jesus do Itabapoana, no Rio de Janeiro, e Bom Jesus do Norte, no Espírito Santo.

Pois tenho sentido, nestes últimos meses, um aumento exagerado do barulho das cidades. Andei até postando no Facebook instantes de incômodo causado por carros de som propagandeando os mais diversos produtos, com intervalos inferiores a dez minutos entre um e outro.

Em Bom Jesus do Norte, por exemplo, onde fica a casa de minha mãe, é praticamente impossível meia hora de sossego, sobretudo, à tarde.

Mas neste último sábado a coisa extrapolou todos os limites.

Tendo saído com minha irmã, para resolver alguns problemas rotineiros, dei de cara com um verdadeiro furdunço sobre a ponte sobre o rio Itabapoana, que une os dois estados – Rio de Janeiro e Espírito Santo. Havia um ajuntamento anormal de pessoas sobre os dois lados da ponte, para observar o salvamento de três pessoas que se tinham atirado nas águas poluídas do rio, a fim de salvar um litro de cachaça, que eles tomavam em sua margem. Além disso, havia sirene de polícia e de ambulância.

Assim que conseguimos ultrapassar o burburinho, pegamos o restolho da passeata de um grupo de evangélicos – Desperta Débora – que antecedeu a marcha dos jovens envolvidos com a Jornada Mundial da Juventude, evento católico que está mobilizando todas as dioceses do país. Estes últimos desfilavam com um trio elétrico em seu volume mais alto, que embalava o desfile dos católicos a cantarem, dançarem, pularem pelas ruas da cidade. Naquele momento, tomava um cafezinho na lanchonete do Antônio Manuel e tive meus órgãos internos sacudidos pelo barulho potente dos alto-falantes do carro de som.

Todas as pessoas – e eram muitas – que estavam por ali, naquele instante, estavam apavoradas com o nível de ruído.

Com certeza as prefeituras das duas Bom Jesus – a do Norte-ES e a do Itabapoana-RJ – precisam de tomar medidas urgentes, no intuito de proteger a população contra o excesso de som, contra a poluição sonora.

Ou aquele povo vai acabar surdinho, surdinho, em pouco tempo.

Imagem em fabioarrudashow.blogspot.com.

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