A FIFA E A VERGONHA NACIONAL

Desde que o Brasil venceu a concorrência para sediar a Copa da FIFA de 2014 e assumiu uma série de compromissos, tem-nos ocorrido constrangimentos os mais diversos.

Somos um povo inzoneiro, matreiro, jeitoso e metido a esperto. De cabo a rabo. Uns e outros se salvam. Mas a consciência nacional indica que somos capazes de nos safar de várias situações. Sabemos dar um jeitinho, quebrar um galho, improvisar, resolver as coisas do modo menos trabalhoso possível.

Pode ser que esta visão esteja equivocada, porque não se justifica a posição que hoje ocupamos no cenário internacional e essa nossa capacidade de sempre procurar o jeitinho mais fácil de resolver problemas.

Entretanto os problemas sociais estão aí a nos jogar na cara que essa nossa propalada riqueza é feita de uma retaguarda cheia de mazelas.

E essa retaguarda cheia de mazelas está por trás do caderno de encargo para as obras e providências outras da Copa de 2014.

Em função disto, levamos pito e descomposturas daquele francês pernóstico, o tal Jérôme Valcke. Se merecemos, isto não vem ao caso. A verdade é que um cidadão de terceiro escalão de uma entidade com fins lucrativos não pode ficar dando puxão de orelhas em autoridades constituídas – para o bem e para o mal, se quiserem.

Já falei aqui, outras vezes, contra a interferência da FIFA em nosso jeito de ser, exigindo mais compostura de nossas autoridades. Claro que isso é completamente inócuo. Quase ninguém me lê, muito menos autoridades. Mas falo, porque há liberdade para isto.

E aí pipocam várias outras informações dando conta da ingerência da FIFA, por exemplo, contra o nome do estádio de Brasília – Mané Garrincha –, sob alegação de que ficaria difícil para os turistas. Depois veio a notícia de que a entidade havia solicitado ao governo soteropolitano a proibição de festas de São João na cidade do Salvador, durante o certame.

A FIFA negou as duas acusações que lhe eram feitas. Descobriu-se posteriormente, no caso do Estádio Mané Garrincha, que é o próprio governo do Distrito Federal que deseja fazer esse desfavor ao grande gênio do nosso futebol. No caso da Bahia, segundo novas informações, é o próprio governo local que resolveu coibir as tradicionais festas juninas. E houve ainda a questão do acarajé nas imediações do estádio. Baiano que é baiano come acarajé antes de ir ao jogo. E, se puder, ainda leva alguns na matutagem.

Então eu me pergunto: afinal de contas, é ou não é a FIFA o monstro intrometidiço que vive exigindo coisas de nós? Ou, ao contrário, são nossas autoridades que, escondidas atrás da marca FIFA, tentam perpetrar esses absurdos contra o povo?

Só sei dizer que, por conta de tudo o que tem ocorrido – e vejam que nem falei em superfaturamento de obras ou abandono de prioridades sociais em função delas –, estou cada vez mais aporrinhado com essa tal Copa de 2014.

E logo eu, que sou um apaixonado por futebol! Vejo até XV de Jaú x Ferroviária de Araraquara. Mas estou pensando seriamente em não dar um único centavo à FIFA na Copa a se realizar em território tupiniquim.

Imagem em meiodecamporm.blogspot.com.

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