MINITRATADO IRRESPONSÁVEL SOBRE A VAIA

A vaia, em princípio, é direito de quem vaia. Embora incomode bastante o vaiado. Nunca soube que algum vaiado (É necessário ler esta palavra com cuidado!) tivesse dado razão aos vaiadores. Quem vaia, normalmente, não precisa saber o motivo da vaia. Basta que um comece – e este, sim, saberá por que vaia – e será seguido de um bando de vaiadores contumazes e irrefreáveis.

Há todo tipo de vaia. Em Campos dos Goytacazes (Escrevo sob protesto esta grafia.), nos idos de 60, os alunos do internato do Colégio Bittencourt, onde estudei, desenvolveram a vaia muda, que era uma forma extremamente irritante para o vaiado, que ficava à espera da vaia sonorosa, que só vinha rápida e ligeira, como um flash sonoro, no último instante do momento.

A vaia é mais comum nos estádios de futebol, onde se vaia desde o trio de arbitragem, que agora é um sexteto, incluído o time e a torcida adversária, até mesmo o próprio time, caso este jogue mal. Comissão técnica, diretoria e trepidantes repórteres de campo e ainda um que outro locutor também são vítimas de vaias constantes. Já vi a torcida vaiar as candidatas a Miss Brasil, que adentraram o tapete verde minutos antes de a pelota rolar. Na época, radinho de pilha colado no escutador de jogo, ouvi o grande João Saldanha dizer:

– Pelo amor de Deus, gente! Vaiar mulher bonita já é um pouco demais!

No caso específico da vaia esportiva – e, de resto, na vaia política e artística –, apesar de quem vaie nunca tenha plena consciência dos motivos que o levaram a vaiar, quem é vaiado está careca de saber por que recebe aquela anti-homenagem, como preceituava Nelson Rodrigues acerca dos xingamentos que a torcida dirige à Sua Senhoria, o Do Apito.

A vaia artística já afrontou astros como Caetano Veloso e Sérgio Ricardo, em festivais de música, que são, aliás, ótimos eventos para que a vaia ocorra. Não me ocorre à memória algum festival realizado no país que não tenha tido como trilha sonora uma ruidoosa vaia.

No caso da vertente esportiva, por exemplo, foi o caso da estrepitosa e tonitruante vaia recebida pelo ínclito senhor Joseph Blatter, presidente da FIFA, acompanhado da presidente do Brasil, na abertura da Copa das Confederações, em Brasília. O suspeito suíço não contava com aquilo e apelou para o respeito e o fair-play. Como multidão não entende de nenhuma das duas coisas que esse senhor esburacado como os queijos de sua terra falou, a vaia continuou em ola por todo o Estádio Nacional Mané Garrincha.

Um dos poucos remanescentes dos antigos candangos que construíram a capital do país, presente ao jogo Brasil x Japão, também vaiou, sem saber explicar a razão ao repórter que lhe indagou os possíveis motivos. Disse ele:

– Meu amigo, eu só acompanhei a multidão. Se foi por causa da seca ou pela transposição das águas do São Francisco, não sei. Só sei que acompanhei. Um cabra arretado como eu não afrouxa.

Joseph Blatter e nossa presidente ficaram com cara de cachorro que virou a panela do vizinho.

Bem feito!

Imagem em sobraldeprima.blogspot.com.

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