OS PROTESTOS JÁ COMEÇAM A CAUSAR EFEITOS COLATERAIS

Foi só o povo ir para as ruas, protestar, arruaçar, esculhambar, para que os políticos, como vestais inocentes e surdas, começassem a ouvir o grito das ruas – imagem mais do que gasta.

Na votação da PEC 37, apenas nove deputados tiveram coragem de votar por sua aprovação. Nem mesmo os representantes das polícias, que antes se apresentavam diante das câmaras a defender seu direito exclusivo de investigar, aparecem mais. Ao contrário, vi policiais louvando a participação do MP na parceria.

Vi também alguns homens públicos se orgulharem de votar contra a PEC 37. Quase uma hipocrisia!

É melhor tentar salvar a pele, enquanto ainda a têm.

Esses são os verdadeiros políticos, no mau sentido, é claro. Aqueles que têm a cara da situação. Se o pau quebra, estão com quem quebra o pau. Se o céu é de brigadeiro, fazem cara de paisagem e continuam no ramerrão de sempre.

O noticiário, por exemplo, informou ontem que vários projetos de lei de interesse social que estavam hibernando nos escaninhos do nosso legislativo estão voltando à ordem do dia.

Voz discordante, como se vê n’O Globo de hoje, é a do Zé Dirceu, que se diz favorável à PEC 37. Aliás, por causa da iniciativa do Ministério Público, é que ele e os demais incluídos no processo do Mensalão estão hoje condenados, embora em liberdade e alguns nos seus cargos eletivos.

Já era, Zé Dirceu! A PEC 37 mó… rreu! E é bom botar as barbas de molho, pois o Supremo, também ouvindo o clamor popular (Eta, imagenzinha velha!), resolveu mandar trancafiar um corrupto que se elegeu deputado federal (Quer dizer, o próprio eleitor foi quem o colocou lá!).

Zé Genoíno também não está nada confortável naquela cadeira confortável do Congresso Nacional. Começa a ver sua vó pela greta.

Os antigos, lá em Carabuçu, minha vilazinha natal, diziam que, nesses casos, é sempre melhor enfiar a viola no saco e baixar noutro terreiro. Não sei se nossos ínclitos corruptos sabem disso. Talvez até saibam, mas, enquanto não são pegos com a boca na botija e se arrependam dolorosamente diante das câmaras e dos flashes, continuam na sua refestelada vida de desvios e açambarcamentos, numa demonstração inegável do grande poder extrativista de dinheiro público nunca visto na história deste país.

Espero que esses efeitos colaterais dos protestos públicos não sejam apenas uma urticariazinha superficial, sem grandes consequências.

Barbas de molho (em ipuceara2010.blogspot.com).

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