O NOVO MARACANÃ

Os novos administradores do Maracanã não querem saber de pobres e desdentados frequentando seu ambiente. Quem quiser gritar impropérios, mandar o adversário ir tomando conta de alguma coisa e chamar a mãe do juiz por aquele nome que vá torcer na várzea e beber cachaça na birosca ao lado.

Doravante o Maracanã é o templo do balipodismo – ou pebolismo –, que é uma forma afrescalhada de futebol, jogada por janotas e gerida por idiotas de todos os matizes.

Além do mais, nem a classe média propalada pelo governo (aquela que ganha acima de duzentos e noventa e um reais por mês, hahaha!) tem como frequentar o novo, belo e asséptico Maracanã. Os ingressos mais baratos nas laterais custarão a módica quantia de cem dilmas. E pensar que por ali circulavam os durangos da geral!

Vá torcer lá no raio que o parta, que aqui você não entra, Zé Ninguém! É mais ou menos isso o que o consórcio que administrará o Maracanã daqui por diante está dizendo ao torcedor.

Quem vai perder torcida, com suas partidas às moscas, será certo time aí cujo nome me abstenho de dizer, a fim de não ser taxado de preconceituoso. Aquele torcedor banguela, de boca arreganhada, cara de cachaceiro, sem camisa, nunca mais porá os pés ali.

Bem feito! Quem mandou nascer pobre e gostar de um esporte que passou a ser gerenciado por uma multinacional gananciosa como a FIFA, que espalha sua ideologia do lucro pelo mundo afora? Quem mandou, Zé Ninguém? Agora você terá de ir para a birosca na sua comunidade e torcer para seu clube do coração, vendo o jogo na televisão ligada no gatonet. Isso se o birosqueiro for esperto!

Você que saía da praia direto para o Maraca pode ir tirando o cavalinho da chuva. Lá não entrará ninguém que não estiver enfatiotado, emperiquitado. Vai ver os administradores até exigirão que o torcedor esteja cheiroso, perfumado, de banho tomado, barbeado e de dentes palitados. Talvez com uma camada de pó de arroz sobre a cútis sensível. Vai ser uma viadagem só! Desculpe, leitor amigo, pois não é mais politicamente correto dizer assim, mas é que saiu. Foi sem querer.

Outra providência também – e essa para preservar o meio ambiente – é aquela que não permitirá mais bambus na torcida. Quer dizer, a torcida não mais poderá levar mastros de bambu em suas bandeiras. Aliás, as bandeiras também deverão ter um tamanho civilizado, digamos assim. Devem ser pequeninas, de modo a não atrapalhar o seu colega do lado. Tudo muito civilizado, tudo muito educado. Afinal de contas não se trata de um local de trabalho, mas de um estádio de futebol. Ora bolas!

Como consequência, nesse novo templo do nobre esporte bretão, não caberão mais palavras como arquibaldos e geraldinos, que o Apolinho Washington Rodrigues criou para se referir aos torcedores das arquibancadas e da geral. Qual será o nome desses novos frequentadores, Apolinho? Usuários? Clientes? Parceiros? Colaboradores? Partners? Supporters?

Por isso, de agora em diante, sempre que um torcedor – ou lá o nome que se lhe dê –  perder o controle de si mesmo e resolver dizer um impropério contra o árbitro, deverá dirigir-se à Sua Senhoria nos seguintes termos:

– Excelência, vossa progenitora é uma senhora despetrechada de virtudes e comerciante do sexo, que labora em ambientes desaconselhados para pessoas virtuosas.

Como sempre diz meu amigo, Zatonio Lahud: Saco!

Quando será que ele voltará ao novo Maracanã (imagem em chicomaia.com.br)?

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