MELHOR DO QUE BANANA SÃO TOMÉ COM QUEIJO

Postei ontem aqui um arremedo de poema – Botafogo no coração – como que me preparando para o jogo da noite contra aquele time grande daquela grande e estranha cidade mais ao sul, onde não garoa mais, porém chovem balas, tal qual nesta linda e maravilhosa cidade de São Sebastião.

E depois, insuflado por meu filho desde Vitória, por meu amigo Zatonio Lahud, ali da Alameda Carolina, e por meu sobrinho-neto Lucas, do bloco B aqui do condomínio, parti para o Maracanã para acompanhar o jogo.

Pedro me garantia, lá das terras capixabas, que seria macuco no embornal. Ele mesmo não se expressou assim, como se fosse meu saudoso pai a falar. Mas a segurança era tanta, que fiquei com receio de não estar presente num momento histórico do clube da Estrela Solitária. E, se tal acontecesse, eu talvez não me perdoasse.

Como tenho o privilégio de não pagar mais, vez que atingi a faixa etária necessária para essas mimosuras da lei, fui com eles, sem convidar meu primo Roberto Bedu, que me passara há algum tempo mensagem para que o convidasse a conhecer o novo Maracanã.

Deixamos o carro a uma distância quase maratonística e partimos para invadir o ex-maior do mundo, que está um brinco. Como disse o amigo Zé Sérgio, ao entrar por um túnel de acesso às antigas arquibancadas, “o velho Maracanã que me perdoe, mas este está muito mais bonito”.

E ficamos lá, cerca de vinte e poucos mil torcedores – número ridículo para a campanha que o time vem fazendo – , gritando, cantando, incentivando, declarando amor a plenos pulmões, durante todo o jogo.

A partida transcorreu meio em banho-maria, com o Botafogo dominando mais a bola, tentando mais a finalização. Para o Corínthians – o tal time grande supracitado –, parecia que o zero a zero com que se inicia qualquer partida já estava de muito bom tamanho, dada a cera que seus jogadores faziam para repor a bola em jogo. Cássio, o feio e mal ajambrado, então, era um mestre nesse tipo de arte antidesportiva, que tanto agrada a torcida adversária, sobretudo se Sua Senhoria, o execrável, não pune com cartão amarelo a artimanha.

E o Corínthians, entre uma tentativa frustrada de ataque e um retardo na reposição da bola, foi tentando cozinhar o jogo, até que a Estrela Solitária brilhou no céu do Maraca, através de um passe de três dedos de Edmilson, que encontrou Hyuri, o novo xodó da torcida, entrando velozmente pelo bico da grande área. Bastou-lhe que desse um sutil toque sobre o feio e mal ajambrado goleiro Cássio, para que a bola fosse morrer no fundo do gol.

A torcida, que em nenhum momento desanimou, entrou em delírio. Inclusive eu, até então praticamente um monge budista diante de uma partida quase insossa, saí abraçando os torcedores adjacentes, dos quais era possível ver inclusive a úvula tremelicando de felicidade.

Hyuri, um jovem afrodescendente com nome russo de grafia japonesa e chuteiras cor-de-rosa, operou o milagre de nos dar a esperança que move todo torcedor apaixonado: a vitória por um único gol, marcado no minuto final da partida.

Melhor do que isso, outra vez lembrando meu saudoso pai, nem banana São Tomé com queijo!

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