RECORDAÇÕES DE PORTUGAL

Revirando nossas caixas de fotografias, encontrei a foto abaixo. É da aldeia de Azenhas do Mar, pertencente ao concelho de Sintra, freguesia de Colares. Devo confessar aos amigos leitores que não entendo a divisão política de Portugal. Talvez seja o equivalente a vila, no Brasil. Mas não é isso que interessa aqui.

A foto em questão foi obtida quando da viagem que Jane e eu, acompanhados dos diletos amigos Laura Dutra e Rogério Fernandes, fizemos por Portugal, Espanha e França em setembro/outubro 2003. Lá se vão, então, dez anos e alguns meses.

Eu havia visto numa revista portuguesa de viagem foto semelhante, com informações sobre a vila, motivo por que ela foi incluída no roteiro que fizemos desde Lisboa até Paris, dirigindo um carro de aluguel.

Como à época ainda não se dispunha de GPS, levamos um poderoso atlas rodoviário da Península Ibérica e outro da França tão detalhados, que, em tom de pilhéria, dizia ser possível encontrar as casas de seu Manuel, dom Pablo e monsieur Jean.

Saímos de Lisboa em direção a Sintra, para conhecer a cidade e o famoso Palácio da Pena e de lá, depois do almoço, seguimos para Azenhas do Mar.

Ocorreu que, lendo o mapa rodoviário, nos metemos por uma estrada que, a cada quilômetro, se mostrava menos povoada, embora isso seja raro por aqueles lados de Portugal, país pejado de cidades e vilas por onde se anda. É quase impossível andar cinco minutos nas estradas, sem que se veja uma casa, no mínimo. Por isso é que paramos diante de uma espécie de bar-mercearia para pedir informações sobre a correção de nosso trajeto. Atendeu-me uma simpática mulher com seu filhinho ao colo. Ela, então, chamou o marido, dizendo que ele me poderia dar a informação com mais detalhes. Disse-lhe que éramos brasileiros em férias por terras lusitanas e que estávamos indo em direção a Azenhas. Ele confirmou o trajeto, explicando que, embora fosse um pouco mais distante que outras opções, era até mais atrativo, pelas belezas do caminho. Tão logo me dirigi para o carro, parado dez metros adiante, ouvimos fogos de artifícios. Voltou-se o meu informante lusitano rapidamente e me perguntou:

– Estás a ouvir os fogos?

Como respondi afirmativamente, ele continuou:

– Agora estou a lembrar. A cada dezessete anos, há a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes aqui na região, e ela está a acontecer neste exato instante. Não vás por aí!

E me indicou outro trajeto.

Rimos bastante da coincidência de estarmos ali exatamente no dia, dezessete anos após, da dita procissão. Contudo seguimos sua orientação e demos em outra estrada, também interrompida por guardas rodoviários, que nos indicaram o caminho a tomar, a fim de que chegássemos a Azenhas do Mar. Chegamos já quase no fim da tarde e pudemos desfrutar desta vista maravilhosa: uma aldeia branca como um presépio encarapitada sobre um promontório diante do Atlântico.

Azenhas do Mar, Portugal, set/2003 (foto do autor).

Azenhas do Mar, Portugal, set/2003 (foto do autor).

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