REFLEXÕES REFLEXIVAS

A primeira coisa que penso, quando alguma coisa me vem à cabeça, é que certamente estarei perdendo meu precioso tempo de não pensar em nada (Os cabelos, então, nem é bom pensar!). Nunca soube de uma boa ideia de minha própria autoria que resultasse em algo proveitoso para a humanidade, para a sociedade, ou mesmo para a torcida do Botafogo, ainda agora rebaixado novamente à segunda divisão do maravilhoso futebol nacional. Até a “boa ideia” da propaganda daquela aguardente é uma péssima ideia.

Boas ideias – presume-se – requerem alguma coisa a mais de um cérebro, que o meu realmente não se esforça por ter. Depois, também, já há muita gente mais gabaritada tendo ideias espetaculares – desde que o mundo é mundo, e desde a fundação do meu time ora afundado – para as mais diversas situações em que as pessoas se metem, e de cuja responsabilidade me eximo por completo.

Talvez eu pudesse ser um filósofo desconstrucionista, um visionário apocalíptico, um acadêmico hegeliano, um guru metafísico, ou coisa que o valha, se pusesse os neurônios de que disponho a trabalhar em prol dos meus semelhantes, dessemelhantes e seus cupinchas. Mas vamos combinar que isto dá um trabalho miserento e exige mais da mente do que eu possa dispor.

Eu, por exemplo, descarto por completo a necessidade de se redigirem compêndios que ultrapassem três laudas para, no final, mandar alguém tomar vergonha na cara e cumprir sua parte no meio social. Ou que as autoridades públicas exerçam o papel a que se propuseram, ao se aboletar em seus cargos, sem que depois haja necessidade de inquéritos administrativos e/ou policiais, CPIs e que tais, questionarem seus atos.

A própria Bíblia Sagrada dos cristãos está aí para me dar razão: todo aquele calhamaço escrito pode ser resumido em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. E eu pergunto, incluindo-me na indagação: quantos fazem isto? Ou, se quiserem um exemplo com viés político, reavivo a memória para lembrar aquele ex-presidente que pediu que esquecêssemos tudo o que escrevera enquanto brilhante intelectual que fora. Ou que não fora, já que era para ser esquecido.

Tenho coisas mais desimportantes a não fazer, que ficar lucubrando soluções para picuinhas de ordem pessoal, ou maquinando rocambolescos planos de reestruturação da ordem política internacional, nacional, municipal ou até mesmo distrital (E, neste instante, refiro as questiúnculas da minha terrinha natal, com dois mil habitantes e uma carroça de tendências de toda ordem.). Cada qual, sendo cada um, na posse do seu livre-arbítrio e comendo um pão de sal sozinho, sabe o que deve fazer, onde lhe aperta o calo e a posição mais baixa do buraco. E, caso seja homem e heterossexual, caso não saiba, o exame de próstata será seu GPS na vida, no caso específico do dito buraco. E também, se não souber, não serei eu que lhe vou dizer. Não nasci para isto, nem tomei tal missão no decorrer da minha existência, que foi fruto de um fortuito espermatozoide desembestado, sem consciência do que lhe adviria de sobrecarga no futuro. Entre mim, hoje, e o indigitado espermatozoide, na oportunidade da fecundação, há mais tempo transcorrido que entre o Paleozoico e o Mesozoico. Por isto, não me exijam posicionamentos engajados ou conselhos sentimentais.

Agora mesmo, então, um pouco mais racional, questiono-me por que, diabos, fico aqui tecendo tais digressões contigo, raro leitor, se nem mesmo tua concordância espero. Espero apenas que tenhas coragem de chegar até o ponto final desta crônica.

Ponto final.

E tenho dito! (Até aqui, estás dispensado de chegar, paciente leitor.)

 

Imagem em revistadonna.clicrbs.com.br.

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