2015 ESTÁ ENTRANDO PORTA ADENTRO

Mudou o ano. Rasgamos a velha folhinha. 2015 está entrando porta adentro do calendário, e algumas coisas estão, de fato, mudando. Vejamos alguns exemplos.

Vi anunciado hoje na manchete dos jornais que a passagem de ônibus passará de R$3,00 para R$3,40. Portanto um aumento de 13,33%. Já a empadinha de camarão aqui do Botequim Chalé já foi, antes mesmo do ano novo, de R$4,00, para R$5,00. Um aumento da ordem de 20%. Assim fica difícil comer empadinha e andar de ônibus.

E isto é apenas com dois preços em que prestei atenção. Deve haver um grande número de aumento por aí de que não tenho, nem terei notícias.

O custo de vida, que é como nós chamamos o nosso curto salário para um mês comprido, não me afeta economicamente. Apenas compro quando tenho dinheiro. Se não tenho, não compro. Aliás, vou confessar, compro sim. Ponho no cartão de crédito e lá pelas calendas gregas (Olha a Grécia na moda aí, gente!), pago o que devo. Mas o mais normal é que eu deixe de comprar aquele azeite importado top de linha, com menos de 0,5% de acidez. O queijo esburacado que vem da Europa também fica de fora. Uso o sapato mais dois, três meses, até que ele não se aguente, ou eu não o aguente. Não mando lavar a roupa na lavanderia. Diminuo o consumo de vinho. Volto a beber cerveja de milho, abrindo mão daquelas lupuladas, cheias de letras classificatórias, com valores exorbitantes. Para terem uma ideia, este ano me ocorreu beber uma cerveja artesanal niteroiense que custou R$58,00 a garrafa de 600ml. Paguei no susto, sem perceber, porque estava misturada a outras e fiquei com vergonha de mandar o cara tirar da cesta. Prefiro manter a pose, do que dá parecência de pão-duro.

Mas todo mundo está dizendo que 2015 será um ano economicamente duro. Será preciso fazer sacrifícios. Eu comecei fazendo minha parte. Passei de 2014 para 2015 sem comprar uma garrafinha sequer de Moet & Cahandon ou Veuve Clicquot. Nem mesmo qualquer prosecco italiano ou espumante nacional. Passei na seca.

Não gastei dinheiro com castanhas, cerejas ao marrasquino, peru temperado, presunto Pata Negra, ou uma prosaica rabanada, que anda pela hora da morte.

Aliás, vou aproveitar a oportunidade, para perguntar ao caro leitor se ele é capaz de explicar como um coisa feita com pão, leite, ovo, açúcar e canela pode custar como se fosse trufa negra ou caviar do Báltico. Taí um mistério que gostaria de ter resolvido. Venho notando já há alguns natais e réveillons que a carne mais cara da padaria é a da rabanada (Sem querer parodiar Caê e Gil.). Numa padaria chique de Icaraí a iguaria sai a R$75,00 reais o quilo. E olhe que vi vários fregueses carregando bandejas de rabanada com a etiqueta em cima, com o preço escandaloso. Só pode ser para ostentar e humilhar os que cruzavam com eles nos corredores. Antes de passarem pelo caixa devem deixar a rabanada abanando o rabo, como cachorro abandonado, em alguma prateleira de pão de forma. Só pode! Ninguém, em sã consciência, pode pagar tal preço. Ou a padaria acredita na doideira que é esta festa para muitas pessoas.

Certa vez, uma amiga da minha mulher, que tinha voltado a morar em Niterói, inesperadamente retornou de mudança para Nova Friburgo. Jane se encontra, então, com a irmã dela e quis saber de notícias da amiga, que andava sumida.

– Voltou para Friburgo. Niterói é muito cara para o salário que ela ganha!

Foi a resposta que ouviu.

Por isso é que já vou começar 2015 sem comer a empadinha de camarão do Botequim Chalé. E, se puder, também não andarei de ônibus: R$3,40 é um aumento exagerado, para uma inflação que não passou dos 6%.

Ou passou, e eu não estou sabendo?

 

Charlie Brown e Snoopy, criação imortal de Charles Schulz.

PS: Fui procurar uma ilustração de 2015 e, dentre tantas, estava lá esta. Como sou fã do Charlie Brown, deixei ficar. A cara dele expressa minha perplexidade.

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