CUNHA-SP

Ateliê Gaia: peças queimadas no forno raku (foto do autor).

Ateliê Gaia: peças queimadas no forno raku (foto do autor).

Cunha nem fica tão longe assim. Está encarapitada na Serra do Quebra-Cangalha, às margens do antigo Caminho do Ouro, entre Guaratinguetá, em São Paulo, e Paraty, no Rio de Janeiro. Com quatro horas de carro, respeitando-se os limites de velocidade das estradas, chega-se lá.

Jane e eu já estivemos lá umas cinco/seis vezes. Nesta última, no feriado da Semana Santa, fomos acompanhados de dois queridos casais de amigos: Rogério e Laura, Kenneth e Luísa. Por algumas vezes lhes tínhamos dito como é interessante uma visita àquela pequena cidade, classificada pelo governo paulista na categoria de Estância Climática, já que está a mil metros de altitude e oferece condições de clima ameno, durante boa parte do ano, e frio, no inverno. É outono, pois não? E o termômetro chegou a marcar 15°C na noite de sexta-feira. É um clima propício a se tomarem bons vinhos com os amigos. E foi isso que fizemos, sobretudo pelos mimos enológicos que nossos amigos nos proporcionaram. Ficarei devendo isto a eles.

Pois Cunha, mesmo pequenina, tem bons restaurantes, turismo ecológico e de aventura e, sobretudo, o espetáculo da abertura de fornada proporcionada por alguns ateliês da cidade, como os de Suenaga & Jardineiro e de Augusto Campos & Leí Galvão. A cidade tem a maior concentração de cerâmica de alta temperatura da América do Sul, segundo soube.

Ateliê Suenaga & Jardineiro (foto do autor).

Ateliê Suenaga & Jardineiro (foto do autor).

Além disso, tem instalada na ponta de um de seus muitos pontos elevados a cervejaria Wolkenburg (castelo das nuvens), de acesso complicado para carros de passeio e impossível para veículos maiores que pretendam transportar o produto de seus tanques. Lá vão apenas os amantes de cerveja, que são recebidos com uma degustação gratuita comandada pelo mestre cervejeiro. Após isso, o visitante pode pedir o tipo que mais lhe agradar, sentar-se a uma das grandes mesas do salão envidraçado e saborear também a vista para as montanhas do entorno.

Desta vez, incentivados por nossos amigos, fomos conhecer o Parque Estadual da Serra do Mar, de acesso por estrada de terra estreita e de piso irregular, a dezoito quilômetros do asfalto da estrada Cunha-Paraty. O rio Paraibuna corta o centro do Parque, que oferece algumas trilhas de variadas dificuldades. Jane e eu preferimos ficar nas proximidades da sede, olhando, fotografando e caminhando com bastante conforto em meio ao verde salpicado por árvores e flores multicoloridas. Sem mais essa, baixou uma neblina densa, por volta das duas horas da tarde. E, quando saímos de lá, nem bem percorremos dois quilômetros, a neblina já não estava presente.

Parque Estadual da Serra do Mar (foto do autor).

Parque Estadual da Serra do Mar (foto do autor).

Mesmo nessa estrada um tanto comprida para ser percorrida, podem-se encontrar bons restaurantes, coisas interessantes para serem vistas e fotografadas.

Contudo a própria cidade tem seu charme. O ar que se respira, por exemplo, com leve aroma vegetal, é tão puro, que nossos pulmões aplaudem a cada inspiração. E é toda espalhada em morros mais ou menos altos, como o da velha igreja matriz do século XVIII, como o Santuário de São José da Boa Vista, também da mesma época, erguido num lugar ermo, a compor com a paisagem uma visão inesperada para quem transita pela estrada.

Santuário de São José da Boa Vista (foto do autor).

Santuário de São José da Boa Vista (foto do autor).

Em todas essas vezes, ficamos hospedados na Pousada Recanto das Girafas, a primeira de Cunha, segundo sua proprietária, Marisa, que, junto com seu marido Renato, nos recebe calorosa e fraternalmente. Por duas noites, Renato, pianista dos bons, nos brindou com boa música instrumental, acompanhado pelo violão do Rogério, baixista de amplos recursos. E bebemos vinho, e conversamos, e reforçamos as teias de uma amizade que já vem de muito tempo. Nem tanto como o das igrejas da cidade, mas também de muito boa tessitura.

Com certeza, voltaremos!

Vista noturna do centro de Cunha, a partir do Ateliê Gaia (foto do autor).

Vista noturna do centro de Cunha, a partir do Ateliê Gaia (foto do autor).

 

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