A MORTE DO RIO SANTO ANTÔNIO

Reorganizando papéis, livros, cds, dvds, etc e tal de nossa casa, em função de umas obras, encontrei entre os escombros uma folha de caderno em que está registrado um soneto, cujo título é o mesmo desta postagem.

Jane, minha mulher, é miracemense. E Miracema tem como único curso d’água a cruzar a cidade um valãozinho muito simples, que lá eles chamam de ribeirão, cujo nome é Santo Antônio. Aliás Santo Antônio é o padroeiro da cidade. Os miracemenses já tiveram muito orgulho do seu ribeirão (Na minha terra, distante apenas cem quilômetros de Miracema, chamamos de valão.), que hoje está reduzido, fora da estação das chuvas, a um melancólico curso d’água poluída e sem nenhum atrativo.

Pois muito bem! O soneto encontrado aqui em casa é de Onofre Nunes e tem anotado em seu final o local e data: Bom Jesus do Itabapuana (sic), 15//5/89. É tudo muito estranho, pois um bonjesuense letrado sabe que o nome de sua cidade e de seu rio, que também já teve melhores dias, se escreve com a letra o: Itabapoana. Não sei se o poema trata do ribeirão de Miracema. Jane acha que sim. Lá em Bom Jesus, pelo que sei, não há rio com o nome de Santo Antônio. Nem mesmo os valões que passam por meu distrito, Carabuçu, que tem como padroeiro este mesmo santo. Contudo é de se observar que, já naquela época, o autor dos versos fazia um protesto contra os maus tratos que nós, irresponsavelmente, lançávamos sobre o rio.

Aí vai o soneto, em que acertei a pontuação e uma e outra correção ortográfica, para não perder o vezo de professor de língua portuguesa.
 
A MORTE DO RIO SANTO ANTÔNIO
 
Por que, meu rio, te maltratam tanto,
Transformando-te assim numa lixeira?
Não és mais como outrora um claro manto
Que descia limpo e lindo em cachoeira.

O lixo forma em cima imensa esteira.
Agora quem te vê morre de espanto!
Esgotos a despejar, em cada beira,
Veneno e fezes, no teu leito santo.

Passando triste, caminhando vais!
Da tua fauna não existe mais
Quase um vivente, desde a tona ao fundo.

O homem mau, o eterno predador,
Que destrói  a vida e a natureza em flor,
Polui-te as águas, destruindo o mundo.

Onofre Nunes

Se acaso algum leitor souber informações sobre o autor do soneto, gostaria de que deixasse sua informação em comentários.

A Matriz de Santo Antônio, em Miracema, com a lua cheia ao fundo (foto do autor).
A Matriz de Santo Antônio, em Miracema, com a lua cheia ao fundo (foto do autor).

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s