NÃO ESPUMÓGENO

Após o banho, estava vendo no armário um presente que ganhei há algum tempo e que lá está quase intocado: um tubo de creme para barbear da marca Portinari, do Boticário. Não me lembro mais de quem me deu e espero, com este texto, não o estar ofendendo, muito menos ao Boticário. Só o usei a primeira vez, para conhecer, e peguei birra de imediato. A razão desta minha implicância já vem impressa no tubo: “não espumógeno”. Como fiz Letras, já sabia do que se tratava, pois o sufixo de origem grega –geno significa “produtor de…”. Então o tal creme não produz espuma.

Peguei birra com o creme! Já passei por dois outros tubos depois dele. E ele fica lá me olhando, sempre que abro a porta do armário, pensando que um dia, por falta absoluta de qualquer outro, eu lance mão de seus serviços. Prefiro passar o sabonete na barba, fazer aquela espuma rala, que também não serve bem ao propósito, porém é melhor que nenhuma.

A falta de espuma pode servir para alguma coisa, que não sei bem, contudo não a um creme de barbear. Nem para foto serve: ela não existe!

É que espuma é uma das coisas de que gosto. Desde as Espumas flutuantes, à espuma do chope, à espuma do sabonete, até à espuma das ondas do mar ressacado batendo na areia da praia aqui em frente. Talvez a única que não me agrade muito seja a do café, porque não tem o paladar intenso que o líquido possui. Até mesmo a espuma do leite, que as cafeterias sofisticadas colocam nas xícaras do expresso e que quase não têm o gosto do leite, também me agrada.

Em função deste meu gosto por espuma, aprendi que, pelo menos para Paris, não adianta levar na mala os bons sabonetes brasileiros. Lá, combinados com a água do banho, também viram não espumógenos. A saída é comprar o sabonete de lá, que naturalmente foi fabricado para combinar com a água de lá. Tudo nos conformes.

A vida sem espuma fica um pouco insossa e sem charme. Quem sabe muito bem disso é Rita Lee: “Que tal nós dois numa banheira de espuma?”*.

 

Imagem em g1.globo.com.

*Em Banho de espuma, música de Rita Lee e Roberto de Carvalho.

2 comentários sobre “NÃO ESPUMÓGENO

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