CALOU-SE O MAIOR BAIXO DO ROCK

Morreu no último sábado, nos EUA, onde se tratava de leucemia, Chris Squire, baixista do Yes. Ele foi, para mim, o maior baixista que o rock já conheceu.

É claro que, neste assunto, rolling stones, ou melhor, pedras rolarão. Cada um terá o seu preferido. Meu sobrinho-neto Lucas Mello​, por exemplo, de vez em quando ressuscita um polêmica na família, já que gosta muito do Roger Waters, conhecido entre nós como Rogério Águas. Acho-o, como baixista, de mediano para bom. Como compositor, magistral. É só conferir a obra. Contudo Chris Squire era soberbo ao executar o baixo. Minha admiração por ele começou com o primeiro disco do Yes que aportou por aqui, lá pelos anos 70: The Yes Album. Era impossível ouvir qualquer das músicas daquele disco clássico, sem que se prestasse atenção ao baixo.

Aliás, o Yes é um grupo em que não se deixa de perceber nenhum dos instrumentos, já que todos os seus componentes são músicos excepcionais, as músicas são extremamente bem elaboradas e permitem que cada membro possa mostrar serviço.

E Chris Squire se destacava com seu baixo vigoroso, criativo, a participar, até mesmo, da melodia das músicas, sem se limitar à famosa cozinha musical, na qual ficam os instrumentos que fazem a cama para o brilho do vocalista, ou do guitarrista, como é mais comum no rock.

Na época em que o grupo apareceu, final dos anos 60 na Inglaterra, o grande diferencial, como li então, seria o vocal de timbre agudo da banda, liderada por Jon Anderson. Até ali, segundo o crítico, os vocais do rock vinham muito da tradição do blues, com cantores de timbre mais grave.

Pode até ser que o crítico estivesse com parte da razão. Mas a reunião daqueles jovens músicos se consolidava em desempenhos individuais diferenciados. A soma desses talentos deu vários problemas, ao longo dos anos, como era de se esperar.

Certa vez, por exemplo, Jon iniciou uma campanha com seus amigos em prol do vegetarianismo, e todos deixaram de comer carne. Até que flagraram Rick Wakeman, escondido, devorando um gordo sanduba comprado numa lanchonete, próxima ao estúdio em que gravavam mais um disco. Rick foi sumariamente expulso do grupo, em nome da “pureza” alimentar. Óbvio que essa briga não durou muito, mas permitiu que Wakeman lançasse três álbuns solos seguidos, entre 1973 e 1975, com grande sucesso de público e vendas. Eu mesmo, antes de partir para a lua de mel, em dezembro de 1975, fui com Jane ver o show dele no Maracanãzinho.

Entretanto Chris Squire, de todos eles, foi o único que sempre tocou com a banda, desde a sua fundação, embora também tenha carreira individual, e só agora, descoberta a doença, emitira nota em seu sítio eletrônico de que não participaria da turnê marcada para novembro, a fim de se tratar.

Foram quarenta e cinco anos dedicados ao Yes e ao rock, com competência inigualável em tudo o que me foi dado ouvir, nesta minha vida de amante deste tipo de música.

Calou-se o maior baixo da história do rock progressivo: Chris Squire morreu!

 

Chris Squire (imagem em vandohalen.com.br).

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Para ver/ouvir Chris Squire, com o Yes, na versão acústica de Long distance runaround, clique aqui.

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