NO BAR

Malaquias resolveu dar uma de macho no bar, mal acabara de chegar. Depois de ter bebido uma cachaça dupla, falou a plenos pulmões:

– Aqui não tem macho! Mas, caso tenha algum, é só esfregar o bigode que já vai entrar no cacete! Homem, comigo, é assim: trato na base do pau, do cacete! E se não gostar, aí é que apanha mais. Quebro o chifre, amasso a cara, ainda deixo o desinfeliz avariado nos países baixos. E não venha tirar farinha comigo, que o caldo entorna de vez. Fico mais bravo que touro miúra, mais venenoso que viúva-negra. Não quero cochicho! Macho não cochicha! Falem alto! Tem uns e outros aí em que eu bato só com um braço, que nem o Natal da Portela. E ainda faço engolir o cigarro e cuspir a cinza. Não quero ninguém cuspindo no chão, senão vou esfregar o nariz do sujeito no escarro.

Como ninguém respondesse, como era de se esperar, Malaquias botou o avental e foi abrir as portas do estabelecimento, que o dia começava cedo no Bar e Restaurante São Jorge, no tradicional bairro de Oswaldo Cruz, a poucos metros da gloriosa Escola de Samba Portela. E não havia melhor terapia para aguentar o rojão até os confins da noite de uma sexta-feira treze, que prometia.

 

File:Cristobal Rojas 36a.JPG

Cristobal Rojas, La taberna, 1887 (em commons.wikimedia.org).

 

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