PASÁRGADA

Vou-me embora pra Cayman
Lá sou amigo do dólar
Terei a conta secreta
No banco que escolherei

Vou-me embora pra Suíça
Comer seu queijo furado
E controlar meu dinheiro
Que foi todo desviado
Do Brasil e sua gente
E deixei tudo pendente
Na educação na saúde
Nos transportes no mercado

Vou-me embora pra Sheychelles
Usufruir bem o corpo
Beber só água de coco
Hospedar-me em palafitas
Luxuosas e bonitas
De custo estarrecedor
Botar na conta do povo
Ordeiro e trabalhador
Vou-me embora pra Seychelles
Encontrar o meu amor

Vou-me embora pras Bahamas
Prometo não beber Brahma
Apenas vinho francês
Supertoscanos da vez
Espumantes e champanhes
E é possível que ganhe
Mais tempo de dolce vita
A vida é tão catita
Não me deu dores nem dós
Prefiro sorver melhor
Do que sofrer duro e só

Venho embora pro Brasil
Antes que a tal Interpol
Com ordem judicial
Me procure por aí
Venho ficar sem perigo
Neste país tão amigo
Tão bondoso com seus filhos
Sobretudo os que desviam
Dinheiro de cofre público
E podem anos a fio
Ter amparo ter guarida
Sem padecer de desdita

Venho embora pra Pasárgada!

 

Ruínas de Pasárgada, no Irã (imagem em pt.depositphotos.com)

———-

PS: Manuel Bandeira há de me perdoar!

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