UM MAR DE LAMA

Desde o ano de 2014, resolvi deixar o futebol no lugar que merece em minha vida: num canto escuro da casa, num escaninho menor do meu cérebro nervoso.

Além do rebaixamento do meu Botafogo à série B do campeonato brasileiro, a famigerada Segundona, pela segunda vez (Carimbamos a volta à Série A no jogo de ontem, contra a Luverdense.), houve o episódio trágico da Copa do Mundo da FIFA em terras brasílicas e o vexatório placar de 7×1 para a equipe alemã. Nunca na história desta Seleção, houve derrota igual, mais humilhante, mais sem propósito. A tragédia da Copa de 50, conhecida como Maracanazo, quando perdemos para a seleção uruguaia, pareceu coisa de criança diante desta última derrota.

Aliás, por falar nisto, vi o blog do jornalista argentino Fernando Taveira, que estampa em uma de suas crônicas que houve suicídio em massa no Brasil pela derrota da Copa de 50. De fato, ele não conhece o brasileiro! Nem quando o Getúlio Vargas, o Pai dos Pobres, se matou, houve suicídio de brasileiros.

Pois estou eu agora falando de algo que deveria estar morto e enterrado, para o bem de todos, porque à miúde sou acordado em plena madrugada, aos sobressaltos, com mais um gol da Alemanha ressoando em meus ouvidos. E olhem que sou acometido por um zumbido terrível desde a infância – ainda agora, no momento em que traço essas linhas, estou a escutá-lo em surround estereofônico.

Se não consigo entender por que a Maitê disse que não vai ficar pelada, como havia prometido, caso o Glorioso voltasse à elite do futebol tupiniquim, muito menos entendo esse meu estado diante de um fato consumado, com uma seleção que, de modo algum, despertou a minha menor paixão. Há muito que o time da CBF vem com a suspeita de ser uma equipe armada pelos interesses da cartolagem, de certa mídia e de empresários que lucram horrores com este futebol de segunda.

Deixamos de ser, já há algum tempo, o melhor futebol do mundo. Quando os meninos interessados procuram uma escolinha de futebol e começam a ser treinados na parte física e tática, isto significa dizer que o futebol arte já deixou de existir. E por esta visão deturpada do verdadeiro sentido do futebol brasileiro, chegamos ao estágio atual.

Amanhã enfrentaremos a Argentina pelas eliminatórias da suspeitíssima Copa da Rússia 2018. Los hermanos vêm cheios de problemas, contudo periga que nosso time – aliás, o time lá da CBF – apronte o vexame maior, que será não se classificar para Moscou.

Na verdade, estou com muita má vontade com todo esse estado de coisas a que chegamos. O futebol, o esporte mais difundido no planeta, está soterrado sob um mar de lama, sem parâmetro na história. E não é de agora! Agora é que a barragem cedeu e a lama se espalhou por todos os lados.

 

Imagem em fiamfaam.br.

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